O Pe. Agostinho explica que a fome,
milhões de órfãos vítimas de sida, o subdesenvolvimento
educacional e de saúde são factores que contribuem para
perpetuar o ciclo de pobreza. “As pessoas morrem com falta de
coisas banais no Ocidente”.
Na Ásia, a região com
mais pobres é o Sul, registando 596 milhões de pessoas
em 2005, contra 548 milhões em 1981. Na América Latina
e nas Caraíbas, a pobreza recuou em percentagem (oito por cento
em 2005, face a 12 por cento em 1981) mas manteve-se em termos absolutos
(45 milhões em ambos os anos). Já na Europa de Leste e
na Ásia Central, a carestia aumentou (cinco por cento ou 24 milhões
em 2005, contra dois por cento ou sete milhões em 1981).
Em contrapartida, na África do
Norte e no Médio-Oriente a pobreza diminuiu (cinco por cento
ou 14 milhões em 2005, contrariamente a nove por cento ou 15
milhões em 1981).
“Dão-se migalhas aos pobres
para que não se sintam tão diabos, mas a verdade é
que não dão o que devem, nem fazem a justiça merecida”,
denuncia o Pe. Agostinho Moreira.
A política mundial quer do Fundo
Monetário Internacional quer também do Banco Mundial “estão
viradas para olhar África e os países do terceiro mundo,
como destinatárias de ajudas”. Mas as ajudas que não
foram cumpridas, aponta o. Pe. Agostinho Jardim Moreira, relembrando
que os países ricos não perdoaram a dívida aos
países pobres e não cumpriram a promessa de contribuir
com uma percentagem do Produto Interno Bruto para reduzir a pobreza.
Estatísticas publicitárias
O Presidente da REAPN afirma que estas
estatísticas “são mais publicidade que outra coisa”.
O Pe. Agostinho reconhece a veracidade “pois regista-se um melhoramento,
mas o compromisso que os países ricos assumiram, não está
a ser cumprido”.
“Pode ter melhorado um ou dois
por cento, mas faltam ainda os 20% de pessoas que continuam a sofrer
com a pobreza” e acrescenta que se “houvesse uma justiça
equitativa o índice de pobreza teria reduzido mais”.
O Presidente da REAPN afirma que a falta
de vontade política impede a erradicação da pobreza.
“Investe-se mais em armamento do que na defesa das pessoas. Pensa-se
mais em matar do que em dar a vida”, sublinha, “seja em
que área for”.
O egoísmo das nações
que conduz à hegemonia “quer manter os ideais de paternalismo
e dependência”. O Pe. Agostinho aponta que os vários
países produtores de alimentos “não podem estar
na mão de alguns que controlam as políticas mundiais”.
Os países pobres “têm sido sugados pelos países
ricos”. Petróleo, diamantes, madeiras, agricultura e mão-de-obra
“falam mais alto que a justiça mundial”. Um jogo
“político e estratégico” que perpetua as dívidas
dos países pobres que não quebram o ciclo de pobreza.
“Um drama que só muda quando mudar o coração
e o espírito de serviço com que se devem manter ao serviço
dos outros”.
O Presidente da REAPN alerta para os
perigos de “novos nacionalismos a que as políticas proteccionistas
podem conduzir”. O Pe. Agostinho aponta que a identidade e a cultura
são “preservadas na medida em que preservamos a dos outros”.
Ao falarmos de globalização
“apontamos o bem que faz, mas na prática torna-se foco
que exacerbados nacionalismos e gera desequilíbrios”. O
Presidente da REAPN lembra que se “houvesse um conceito de justiça
do ser humano eu não iria permitir que pessoas fossem alvo de
escravatura para que alguém no Ocidente possa comparar algo mais
barato”.
“A responsabilidade recai sobre
os políticos que se tornam «joguetes» das políticas
economicistas e globais. A democracia deixou de ser expressão
do povo para passar a ser a expressão de domínio de alguns”.