Por
Fr. Willian O Saunders
Tradução:
Rondinelly Ribeiro
Certa vez um amigo
que se diz católico me disse: "eu não acredito em
inferno." O senhor pode dar uma resposta a esta afirmação?
A Escritura sagrada
claramente atesta a um lugar de condenação eterna chamado
inferno ou às vezes referido a como Gehenna. Os exemplos são
os seguintes: Jesus disse que o homem que desprezar seu irmão
"incorrerá os fogos da Gehenna" (Mt 5,22). Nosso Senhor
advertiu, "não temais os que matam o corpo mas não
podem matar a alma. Antes, temei quem pode destruir tanto corpo como
alma na Gehenna" (Mt 10,28). Jesus disse, "Se tua mão
te faz cair, corta-a. Melhor você entrar na vida com uma só
mãos que manter ambas as mãos e ir para a Gehenna com
seu fogo inextinguível" (Mc 9,43). Usando a parábola
do joio e do trigo para descrever o julgamento final, Jesus disse, "os
anjos lançarão [os malfeitores] na fornalha inflamável
onde prantearão e moerão os seus dentes (Mt 13,42). Semelhantemente,
quando Jesus falou do julgamento final onde a ovelha será separada
dos lobos, Ele dirá ao mau, "afastai-vos de mim, malditos,
para o fogo perpétuo preparado para o demônio e seus anjos
(Mt 25,41). Finalmente, no Livro da Revelação, cada pessoa
é julgada individualmente e os malfeitores são lançados
em uma "fosso de fogo, a segunda morte" (20,13-14).
Apenas para clarificação,
Gehenna era um vale ao sul de Jerusalém que era utilizado para
sacrifícios pagãos de crianças pelo fogo. O profeta
Jeremias amaldiçoou o lugar e predisse que seriam um lugar de
morte e corrupção. Na literatura rabínica tardia,
o termo identificava o lugar de castigo eterno com torturas e fogo inextinguível
para os maus.
Dessa forma, a Igreja
consistentemente ensinou que de fato o inferno existe. Que as almas
que morrem num estado de pecado mortal imediatamente vão para
o castigo eterno no inferno. O castigo do inferno é principalmente
a separação eterna de Deus. Lá se sofre o sentido
de perda?a perda do amor de Deus, a perda da vida com Deus, e a perda
da felicidade. Amor verdadeiro, vida, e felicidade são relacionadas
a Deus, e cada pessoa as deseja. Entretanto, só Nele o homem
achará sua realização (cf. CCE 1035).
A pessoa condenada
também sofre dor. As descrições dadas sobre esse
"fogo" pela Constituição Apostólica Benedictus
Deus (1336) do Papa Benedito XII disseram que as almas "sofreriam
a dor do inferno," e o Concílio de Florença (1439)
decretou que as almas "seriam punidas com castigos diferentes".
Alguns santos tiveram
visões de inferno. Irmã Faustina descreveu o inferno como
segue: "Hoje fui dirigida por um Anjo aos abismos do inferno. É
um lugar de grande tortura; como terrivelmente grande e extenso é!
As espécies de torturas eu vi: A primeira tortura que constitui
o inferno é a perda de Deus; a segunda é o remorso perpétuo
da consciência; a terceira é que aquela condição
nunca mudará; a quarta é o fogo que penetrará na
alma sem destruí-la?um sofrimento terrível, como é
um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus; a quinta tortura
é a escuridão ininterrupta e um terrível e sufocante
odor. Apesar da escuridão, os demônios e as almas dos condenados
vêem todos os males, os próprios e dos outros; a sexta
tortura é a companhia constante de Satanás; a tortura
sétima é o desespero horrível, aversão de
Deus, palavras vis, maldições e blasfêmias. Estas
são as torturas sofridas por todos os condenados, mas isto não
é o fim dos sofrimentos. Há torturas especiais dos sentidos.
Cada alma sofre sofrimentos indescritíveis, terríveis,
relacionados à maneira com que se pecou. Há cavernas e
fossas de tortura onde uma forma de agonia difere da outra. Teria morrido
na mesma visão destas torturas se a onipotência de Deus
não tivesse me apoiado. Escrevo isto no comando de Deus, de modo
que nenhuma alma pode achar uma desculpa por dizer não há
inferno, nem que ninguém jamais esteve lá e por isso não
se pode dizer como ele é".
Devemos lembrar
que Deus não predestina ninguém ao inferno nem deseja
que alguém seja condenado. Deus nos confere a graça atual
que ilumina o intelecto e fortalece a vontade de modo que podemos fazer
o bem e desviar do mal. Entretanto, uma pessoa, com o consentimento
do seu intelecto, pode escolher praticar o mal e com essa escolha, cometer
pecado mortal, e assim rejeitar Deus. Se uma pessoa não se arrepende
do pecado mortal, não tem qualquer remorso e persiste neste estado,
então esta rejeição de Deus continuará para
a eternidade. Em resumo: as pessoas se condenam ao inferno.
O papa João
Paulo II, em Cruzando o Limiar da Esperança (pp. 185-6) endereçou
a pergunta, "Pode Deus, que amou tanto o homem, permitir que o
homem que O rejeita seja condenado a tormento eterno?" Citando
a Escritura Sagrada, o Santo Padre na sua resposta repete o ensino inequívoco
de nosso Senhor. Ele também nos lembra que a Igreja nunca condenou
uma pessoa particular ao inferno, nem mesmo Judas; antes, a Igreja deixa
todo julgamento nas mãos de Deus. Entretanto, o Papa, por uma
série de perguntas, afirma que o Deus de Amor é também
o Deus de Justiça, que nos faz responsáveis por nossos
pecados e assim nos pune.
Devemos orar pela
graça de resistir à tentação e seguir o
caminho do Senhor e ao mesmo tempo procurando o perdão para qualquer
queda que venhamos a cometer. Falando sobre a jornada da Igreja Peregrina,
o Vaticano II na Constituição Dogmática sobre a
Igreja (n. 48) escreve, "desde que não se sabe nem o dia
nem a hora, devemos seguir o conselho do Senhor e vigiar constantemente
de modo que, quando o único curso de nossa vida terrena for completada,
possamos merecer entrar com Ele na festa das bodas e sermos numerados
entre os abençoados e não como os serventes maus e preguiçosos,
sermos enviados ao fogo eterno, na escuridão exterior onde 'haverá
prantos e ranger de dentes.'" Por esta mesma razão, nós
oramos na primeira Oração Eucarística da Missa,
"Pai aceita esta oferenda de toda sua família. Conceda-nos
sua paz nesta vida, poupa-nos da condenação final, e conta-nos
entre os escolhidos".