Por
Dom Estêvão Bettencourt, OSB
Fonte: Apostila do Mater Ecclesiae - Escatologia
O estudo da Escatologia
individual diz respeito aos acontecimentos que afetarão cada
indivíduo no fim de sua jornada terrestre. São eles: Morte,
Juízo Particular, Purgatório, Inferno e Céu. E
a Escatologia coletiva trata dos acontecimentos relacionado com o fim
dos tempos, a saber: Parousia (2a. vinda de Cristo), Ressurreição
da Carne, Juízo Final ou Universal e os "Novos Céus
e Nova Terra".
A MORTE é
onde se dá a separação entre o corpo e a alma.
Deus não é o autor da morte. Foi o homem que, usando mal
a liberdade que Deus lhe deu, pecou, e ao pecar, permitiu que a morte
entrasse no mundo.
O JUÍZO PARTICULAR
ocorre imediatamente após a morte, e define se a alma vai para
o Céu, inferno ou purgatório. Não há uma
ação violenta de Deus, mas simplesmente a alma terá
nítida consciência do que foi sua vida terrestre, e assim,
se sentirá irresistivelmente impelida para junto de Deus (Céu),
ou para longe da presença de Deus (Inferno) ou ainda para um
estágio de purificação (Purgatório).
O PURGATÓRIO
é o estado em que as almas dos fiéis que morrem no amor
a Deus, mas ainda com tendências pecaminosas, se libertam delas
através de uma purificação do seu amor. Ou seja,
são almas justificadas, mas que ainda precisam ser santificadas
(clique AQUI para maiores detalhes). O Purgatório fortalecerá
o amor de Deus no íntimo da pessoa, a fim de expurgar as más
tendências. Todas as almas do Purgatório, posteriormente,
irão para o Céu.
O INFERNO é
um estado de total infelicidade. É viver eternamente sem Deus,
sem amar, sem ser amado. A alma percebe que Deus é o Bem Maior,
mas sua livre vontade o rejeita e sabe que estará para sempre
incompatibilizada com Deus. Isso gera um imenso vazio na alma que passa
a odiar a Deus e às suas criaturas. Só vai para o inferno
quem faz uma recusa a Deus consciente, livre e voluntária. Mas
como pode existir o inferno se Deus é bom e nos ama? Veja a resposta
AQUI.
O CÉU não
é um lugar acima das nuvens, mas sim, um estado de total Felicidade
capaz de realizar todas as aspirações do ser humano. No
Céu participamos da Vida de Deus. E quanto maior for o amor que
a pessoa desenvolveu neste mundo, mais penetrante será a participação
na Vida de Deus. Assim, no Céu todos são felizes, mas
em graus variados, pois cada um é correspondido na medida exata
do seu amor. Deus é Amor, amor que se dá a conhecer a
quem ama. Não há monotonia no Céu, mas sim, uma
intensa atividade de Conhecer e Amar.
Vale aqui o registro
de que o Limbo seria o "local" eterno onde ficariam as crianças
que morrem sem o Batismo. Não teriam a visão sobrenatural
de Deus, mas uma visão natural mais perfeita do que temos. No
entanto, o Limbo sempre foi uma suposição e jamais foi
um artigo de fé. Ao invés disso, tais crianças
são confiadas pela Igreja à misericórdia de Deus,
que acreditamos ter um caminho de salvação própria
a elas.