Ir e vir são ações contínuas do ser
humano. Indicam dinamismo e busca de algo realizador. Com esforço
de procura crescente se atinge um ideal. Abraão, por chamado
divino, saiu de sua terra para começar nova vida e realizar
uma tarefa importante (conferir em Gn 12, 1-4). Tornou-se início
da formação de um povo com missão especial.
De sua estirpe nasceria o Salvador da humanidade. Seu ideal era
o de cumprir a vontade de Deus. Sua obediência ao Criador
tornou possível a formação do povo escolhido.
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O
ser humano tem vocação para tornar a caminhada existencial
de sentido elevado. Cuidar da terra, produzir vida, ter convivência
fraterna com promoção de justiça, defender o meio
ambiente e trabalhar pela realização digna de todos mostram
sua ação frutuosa. Ao contrário, o egoísmo
leva a se produzir estrago e morte com as conseqüências danosas
para todos. Uma vez implantados mecanismos de exclusões, o trabalho
para a modificação desta realidade exige esforço
redobrado de educação para o amor.
Jesus
veio justamente nos provar, mesmo no caminho árduo de doação
de cada um, a necessidade de se defender e promover a vida para que a
realização de cada ser humano se torne possível.
Sem oblação, não é possível tornar
a convivência harmoniosa e feliz na terra. Hoje a vida é
muito esmagada pela falta de solidariedade e movimentação
para um crescimento realizador de cada ser humano. Mesmo as minorias detentoras
de recursos que seriam para o bem de todos não se realizam em açambarcar
tudo para si.
A
boa saúde pessoal e social se concretiza tão somente quando
se buscam valores além do bem estar material e aparente. A grandeza
de caráter com humanismo é essencial para tornar realmente
possível a felicidade do ser humano. Isto se dá de modo
patente com o ideal apresentado por Deus. Ele nos apresenta o desafio
de trabalharmos pelo bem do semelhante, mesmo às custas de nos
sacrificarmos pela causa da justiça e da promoção
de todos.
A
dinâmica de sair da “terra” limitada do nosso eu envolve-nos
em ir em busca de uma convivência apta a tornarmos nossa existência
uma verdadeira comunidade. Nela se preserva a vida crescente de qualidade
para todos. A superação do fechamento egoísta faz
a pessoa de ideal elevado proteger a vida humana e da natureza. Todos
temos o direito e o dever de sermos felizes.
Para
isso somos impulsionados a pensar e agir em bem da vida que o Criador
nos deu sem merecermos. Não somos os donos absolutos de nosso eu.
Nem os pais são donos de seus filhos. Nossa dependência de
quem nos deu a existência leva-nos a conduzir nossa caminhada na
convivência promotora do bem do outro, a partir de quem é
mais frágil e indefeso. A lei do domínio do mais forte precisa
ser modificada. Caso contrário, esmagamos a vida dos outros, como
acontece demais.
Nosso
planeta é rico de possibilidades. Só usaremos seus benefícios
de modo inteligente quando soubermos operar a chave do segredo da existência
realizadora, escondida no coração de quem sabe perscrutar
a presença do amor de Deus em si mesmo. Superamos o enfoque de
querermos vida só para nós. Promoveremos a vida de todos.
*Dom José Alberto Moura, 64 anos, Arcebispo Metropolitano de Montes
Claros (MG), Presidente da Comissão Episcopal Pastoral (CEP) para
o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e primeiro Vice-Presidente do Conselho
Nacional de Igrejas Cristãs (Conic).
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