A Campanha da Fraternidade de 2008 apresenta o tema: “Fraternidade
e defesa da vida” e o lema : “escolhe, pois, a vida”
(Dt 30,19). O povo hebreu, beneficiado pela ação libertadora
e salvadora do Deus da vida, é colocado por Moisés
diante da grave alternativa: escolher a vida, sendo fiel aos mandamentos
ou escolher a morte, andando por caminhos de idolatria e servindo
a “deuses” fabricados por mãos humanas. Isso
vale para a globalidade das decisões humanas: nossas escolhas
têm conseqüências sobre a vida e o futuro. A escolha
livre e responsável do respeito aos mandamentos de Deus e
do seu desígnio de vida significa bênção,
esperança, futuro. O desprezo ao desígnio do Deus
da vida e seus mandamentos traz a desgraça, a morte.
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Este
tema assume importância sempre maior no Brasil e no mundo em vista
das ameaças e agressões constantes à vida, o bem
mais importante e precioso sobre a face da terra.
Nas
suas múltiplas formas e manifestações, a vida é
um bem impagável; cada ser vivo manifesta, à sua maneira,
a sabedoria e a insondável providência de Deus Criador. Não
criamos a vida, mas temos o tremendo poder de destruí-la; e a destruição
da vida pelo descuido e a imprudência humanas, ou pela ganância
sistemática e cega, é ofensa ao Criador. Muitas formas de
agressão ao ambiente, bem como a interferência leviana na
natureza dos organismos vivos coloca em sério risco a existência
de todos. Vem ao caso de perguntar: que tipo de mundo e ambiente estamos
preparando para as gerações que virão depois de nós?!
Tratando-se
da vida humana, as questões tornam-se ainda mais preocupantes.
A pobreza extrema e a falta de políticas sociais adequadas deixam
a vida humana exposta a situações de risco e precariedade.
A violência endêmica e o crime organizado ceifam numerosas
vidas humanas, lamentavelmente, muitas delas, em plena flor da juventude!
Submetida à lógica do mercado e da vantagem econômica,
a vida humana acaba valendo muito pouco. A degradação ambiental,
a contaminação e poluição das águas
e do ar, em conseqüência de políticas econômicas
irresponsáveis, desencadeiam mecanismos que põem em risco
a própria sobrevivência da vida no nosso planeta.
É
impressionante o número de abortos clandestinos realizados todos
os anos no Brasil. São seres humanos inocentes e indefesos rejeitados,
aos quais é negada a participação no banquete da
vida. E com os abortos clandestinos, tantas mulheres também perdem
a vida, em conseqüência de abortos mal-feitos. Legalizar o
aborto seria a solução, para salvar a vida de muitas mulheres?
É o que alguns pretendem. Mas essa solução seria
trágica, cruel e imoral, pois ambas as vidas são preciosas,
tanto mais, quanto menos culpa têm a pagar. A vida da mãe
e do filho precisa ser preservada. A solução é a
educação para a maior valorização da vida
humana e para comportamentos sexuais conseqüentes com a grande responsabilidade
de transmitir a vida a um novo ser humano.
Ameaça
não menos preocupante para a vida humana é a pretensão
de legalizar a eutanásia, uma intervenção intencional
e direta para suprimir a vida humana. O ser humano, desde o início
da história, sempre teve a tentação de se tornar
senhor absoluto da vida e da morte; claro, é pretensão dos
fortes sobre os mais fracos. E isso não lhe trouxe nada de bom.
Só Deus é senhor da vida, porque só ele é
capaz de chamar do nada à existência e de dar plenitude à
vida humana. Por isso escreveu no coração do homem esta
ordem: “não matarás!”
Proteger,
defender e promover a vida é tarefa primordial do Estado, sobretudo
a vida indefesa e frágil, como a dos seres humanos ainda não-nascidos,
das crianças, idosos, pobres, doentes ou pessoas com deficiência.
É ação política por excelência, que
não poderá orientar-se pela lógica do “salve-se
quem puder”, que só beneficiaria os mais fortes; ela requer
o envolvimento solidário de todos os cidadãos. A defesa
da vida e da dignidade dos outros seres humanos contra toda forma de agressão,
prepotência ou aviltamento interessa a toda a família humana;
é manifestação suprema de fraternidade.
O
lema – “escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19b) – é
tomado do livro do Deuteronômio. O povo hebreu, beneficiado pela
ação libertadora e salvadora do Deus da vida, é colocado
por Moisés diante da grave alternativa: escolher a vida e um futuro
esperançoso para si e seus descendentes, permanecendo fiel aos
mandamentos de Deus, ou escolher a morte, andando por caminhos de idolatria
e servindo a “deuses” fabricados para a própria conveniência.
Isso vale para a globalidade das decisões humanas: nossas escolhas
têm conseqüências sobre a vida e o futuro. A escolha
livre e responsável do respeito aos mandamentos de Deus e do seu
desígnio de vida significa bênção, esperança,
futuro. O desprezo ao desígnio do Deus da vida e seus mandamentos
traz a desgraça, a morte.
Esta
é a grande questão posta pela Campanha da Fraternidade de
2008, que será ocasião para refletir sobre a complexa problemática
que atinge a vida sobre a terra, em especial, a vida humana. Está
em jogo o futuro da vida na Terra, nossa casa comum, e de todos os seus
habitantes. Uma solução responsável só poderá
ser solidária e fraterna, no pleno respeito ao desígnio
de Deus Criador e Senhor da vida.
*Dom Irineu Roque Scherer, 57, bispo de Joinville-SC
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