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A
Dimensão Bíblico-Catequética - CNBB, com ajuda do
GRECAT, fez um resumo do Diretório Geral para a Catequese, edição
de 1997, para auxiliar os coordenadores regionais na leitura deste documento.
O
Diretório nos oferece uma visão global da catequese. Por
sua vez nos desafia a busca de uma visão ampla da catequese, em
nosso país. O Documento “Catequese Renovada” nos ajuda
a obter esta visão. Por outro lado, percebemos que, o avanço
da história, a prática da catequese, o momento cultural,
nos pedem um novo documento para impulsionar educação da
fé na chegada do novo milênio.
O
Diretório nos mostra passos novos que devem ser realizados. Porém,
nos revela que muitos passos realizados entre nós, ainda não
ecoaram em outros lugares. Evidente, Deus se revela a partir de cada cultura.
Ai está uma tarefa da catequese, descobrir como Deus se manifesta
em nosso chão.
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Diretório
Geral para a Catequese
Prefácio
Durante
o Terceiro Congresso Mundial de Catequese, em Roma de 17 a 21 de outubro1997,
além da Editio Típica, portanto, em Latim, versão
oficial e definitiva do “Catechismus Ecclesiae Catholicae”
(CEC) ou “Catecismo da Igreja Católica” (CaIC), a Sé
Apostólica lançou também o “Diretório
Geral para a Catequese” (DGC), cuja versão em português
foi publicada em começos de 1998, por Edições Paulinas.
Neste
breve artigo fazemos apenas, sobretudo para os que não tem acesso
direto ao texto original, uma rápida apresentação
deste documento que, certamente, é de grande importância
no processo de renovação da Catequese no mundo todo e que
terá incidência na caminhada da Catequese Renovada no Brasil,
iniciada em 1983.
1.
O Contexto Histórico do DGC
A
renovação da catequese aconteceu ao longo da primeira metade
do século XX, junto com outras correntes renovadoras da Igreja
e que levaram à realização do Concílio Vaticano
II (1962-1965). É importante recordar aqui, por exemplo, entre
outras iniciativas: a) no campo bíblico, o impulso dado por Garrigou
Lagrange, e outros importantes biblistas e pelas Escolas Bíblicas,
particularmente Jerusalém e Roma; b) a liturgia, com a liderança
de Pius Pasch, dos Monges de Solesmes, de Martimort, de Gelineau; c) a
teologia, com Jungmann, Yves Congar, Henri de Lubac, Karl Rahner, Bernard
Haring, Edouard Schkelebeeckx, os Institutos de Teologia, especialmente
a Gregoriana (Roma) e Tubinga (Alemanha); d) a Historia da Igreja, particularmente
com Daniel Rops; e) a Filosofia cristã, especialmente com Jacques
Maritain, Edouard Mounier, Etienne Gilson; f) a Pedagogia, com Montessori,
a escola ativa de Munich, a liderança de algumas Congregações
Religiosas Docentes, com fortes propostas e práticas de renovação
da escola católica... Entre outras iniciativas de renovação,
também foram de grande ajuda para a Igreja rever sua caminhada
histórica, as acontecidas no campo da Patrística, da Espiritualidade,
da Antropologia, da Psicologia e da Sociologia, e a crescente evolução
das ciências, especialmente física, biologia, química
e comunicação.
A
catequese se abeberou nestes movimentos de renovação e foi
construindo sua caminhada. É de se destacar alguns impulsos maiores
e aqui relembramos uns poucos. O incentivo dado pelo Papa São Pio
X, em 1905, a Teologia Kerigmática de Jungmann e seu manual “Catequética”,
que foram decisivos para os conteúdos da catequese, a partir dos
inícios da década de 40 e, na mesma época, a escola
ativa de Munich que trouxe para a catequese novos caminhos pedagógicos.
Há
nomes importantes de líderes da renovação da Catequese,
sobretudo na década de 50 e 60, como Joseph Colomb, na França,
Leone de Maria, na Itália, J. Delcuve, na Bélgica, Álvaro
Negromonte, no Brasil, e de Institutos de Catequese como o Institut Supérieur
de Pastorale Catéchétique (ISPC), do Institut Catholique
de Paris, o Institut Lumen Vitae, na Bélgica, o Instituto San Pio
X, em Salamanca, depois em Madri. Exerceram particular importância
as Célebres Semanas Internacionais de Catequese, como Munich, Manila,
Eichsttät e Medellin e alguns Diretórios de Catequese (Fonds
Obligatoire na França) e Catecismos de Adultos, com destaque para
o Catecismo Católico da Alemanha e o Catecismo Holandês.
O
Concílio Vaticano II discutiu a questão da catequese e até
mesmo houve algumas vozes sugerindo que uma de suas tarefas fosse a elaboração
de um Catecismo universal, como aconteceu no Concílio de Trento
e que foi publicado em 1566, com o título “Catechismus ad
Parochos”.
Mas,
a decisão do Concílio Vaticano II foi pela recomendação
de um “Diretório sobre a formação catequética
do povo cristão” e isso consta no número 44 do Decreto
conciliar Christus Dominus: “Elaborem-se também, tanto um
Diretório especial de cura pastoral para grupos peculiares de fiéis,
em razão das diversas circunstâncias de cada nação
ou região, quanto um Diretório de formação
catequética do povo cristão. Nele se trate dos princípios
fundamentais e da organização dessa instrução,
bem como da elaboração de livros sobre o assunto. Na elaboração
destes Diretórios tomem-se em conta também as sugestões
feitas pelas Comissões ou pelos Padres Conciliares”.
Este
mandato foi realizado em abril de 1971, quando a Congregação
para o Clero publicou o Diretório Catequético Geral (Directorium
Catechisticum Generale -DCG), após alguns anos de estudos, com
apoio de especialistas, consulta às Conferências Episcopais
e aprovação final do Papa Paulo VI, em março. Entretanto,
nesta época, já estavam de cheio dentro da catequese fortes
doses dos Documentos Conciliares, sobretudo Lumen Gentium (A Igreja),
Gaudium et Spes (A Igreja no Mundo), Dei Verbum (Sagrada Escritura) e
Sacrossanctum Concilium (Liturgia) e sobretudo o espírito renovador
trazido pelo Concílio.
Muitos
países, a partir do Diretório Catequético Geral de
71, redimensionaram a caminhada em curso da renovação da
catequese, elaborando seus próprios Diretórios, revendo
as coleções de subsídios catequéticos, dedicando
um cuidado especial à formação dos catequistas e
realizando uma revisão da organização prática
da catequese nas dioceses e nas paróquias.
Mas,
após a publicação do DCG, a catequese muito se beneficiou
com novos incentivos. Assim foi muito significativo o impulso dado à
catequese de adultos pela publicação do Ritual da Iniciação
Cristã de Adultos (1972), e à catequese em geral pelo Sínodo
sobre Evangelização (1974) e decorrente Exortação
Apostólica Evangelii Nuntiandi (1975), de Paulo VI. E neste caso
a guinada foi realmente significativa, porque como para toda a missão
da Igreja, Evangelii Nuntiandi representou uma forte mudança, a
partir deste documento a catequese foi oficialmente inserida dentro do
âmbito da missão evangelizadora da Igreja, ou seja a catequese,
que já vivia na dinâmica da teologia kerigmática,
passou a ser considerada pela instância maior da Igreja, no caso
Paulo VI e em escuta a um Sínodo, como parte integrante das urgências
e preocupações específicas do mandato missionário
para os nossos tempos (cf. DGC de 97 item 4). Logo em seguida, em 1977,
aconteceu o Sínodo sobre Catequese, do qual brotou a Exortação
Apostólica Catechesi Tradendae (A Catequese Hoje), de João
Paulo II (1979), em plena coerência com as orientações
de Evangelii Nuntiandi. O atraso na publicação se deveu
à fase de transição entre os Papas Paulo VI, João
Paulo I e João Paulo II, no ano de 1978.
Mas,
além disso, sem dúvida alguma, todo o mandato do Papa João
Paulo II, tem sido de extraordinária riqueza para a renovação
da catequese, especialmente suas Encíclicas. Em destaque, por exemplo,
Jesus Cristo na Redemptor Hominis (1979), Deus Pai na Dives in Misericordia
(1980), o Espírito Santo na Dominum et Vivificantem (1986), Maria
a Mãe de Deus na Redemptoris Mater (1987), a tarefa missionária
da Igreja na Redemptoris Missio (1989), a justiça social na Solicitudo
Rei Socialis (1990) e na Centesimus Annus (1993), o ecumenismo na Ut Unum
Sint (1996), etc., São muito importantes também as Exortações
Apostólicas referentes aos Sínodos, sobretudo sobre a Família
como Familiaris Consortio (1981), a vocação e a missão
dos Leigos e Leigas na Chistifideles Laici (1989). E não podemos
esquecer o impulso do chamado à Nova Evangelização
(1983, Haiti) e finalmente o Projeto de preparação ao Grande
Jubileu do Ano 2.000, lançado em fins de 1994 com a Tertio Milllennio
Adveniente (O Advento do Terceiro Milênio), em si um imenso programa,
concreto e pormenorizado de evangelização e catequese .
No
caso do Brasil, tivemos antes do Concílio a grande liderança
do Pe. Álvaro Negromonte com seus livros, cursos e congressos,
e da Ação Católica, com seu método VER, JULGAR
e AGIR e sua Revista de Catequese. Logo depois do Concílio, a liderança
esteve com os ISPACs (Institutos de Pastoral Catequética), criado
no Brasil por ex-alunos do ISPC de Paris. E também tiveram muita
importância para a Catequese, entre nós, tanto a Semana Internacional
da Catequese, em Medellin, em 1968, como a Segunda Conferência Episcopal
Latino-americana, também em Medellin, no mesmo ano. A renovação
da catequese teve também um bom apoio de alguns autores de textos
catequéticos, amplamente adotados por sua qualidade de conteúdo
e metodologia e de algumas Escolas de Catequese, que aos poucos foram
substituindo os ISPACs.
Logo
depois da publicação de Catechesi Tradendae (1979), a CNBB
decidiu, em Assembléia Geral, elaborar uma espécie de Diretório
de Catequese para o Brasil. O processo levou três anos, com grande
participação das bases e três versões sucessivas,
sob a liderança de D. Albano Cavallin e do Pe. José Geeurickxx
MSC (Pe. Zeca) O texto foi aprovado, por unanimidade na Assembléia
Geral de maio de 1983, com o título Catequese Renovada, Orientações
e Conteúdo (Doc. da CNBB, n. 26). A partir dali aconteceu, sob
liderança do Setor de Catequese da CNBB, tendo à frente
D. Albano Cavallin, Irmão Israel José Nery, FSC, e Frei
Bernardo Cansi, OFMcap, um verdadeiro mutirão nacional para operacionalizar
o documento nas bases, tendo como momento alto do processo a realização
da Primeira Semana Brasileira de Catequese em 1986, com a grande mobilização
nacional que a precedeu.
Em
1985, o Sínodo Extraordinário, de avaliação
e celebração dos 20 anos do encerramento do Concílio
Vaticano II, solicitou ao Papa a redação de um Catecismo
Universal, em substituição ao do Concílio de Trento,
de 1536. Acatado o pedido o texto foi elaborado e, após aprovação
do Papa, foi publicado, porém, ainda não em edição
definitiva, no ano de 1992. Terminada a versão latina, a edição
típica, portanto definitiva, ficou pronta no segundo semestre de
1997.
Mas,
desde a publicação do Catecismo da Igreja Católica,
(CaIC), em 1992, a Congregação para o Clero, consciente
da necessidade de uma revisão do Diretório Catequético
Geral de 1971 (DCG), iniciou o trabalho que tendo ficado pronto e coincidindo
com a edição típica, foi lançado juntamente
com o Catecismo num Congresso Internacional de Catequese, em Roma, de
17 a 21 de outubro de 1997, organizado e coordenado para este objetivo,
conjuntamente pela Congregação da Doutrina da Fé
e pela Congregação para o Clero. O novo Diretório,
baseado no anterior, recebe o título de Diretório Geral
para a Catequese (DGC).
2. Finalidades, Exigências e Destinatários do DGC
2.1-
Finalidades. O Diretório Geral para a Catequese tem como primeira
finalidade: “indicar os princípios teológico-pastorais
de caráter fundamental (tomados do Magistério da Igreja
e especialmente do Concílio Vaticano II), pelos quais possa orientar-se
e reger-se, mais adequadamente, a ação pastoral do ministério
da Palavra, e, de modo concreto, da catequese” (DGC, 9).
Para
nós, no Brasil, é evidente que, além da fonte apontada
pelo DGC (Magistério da Igreja, Concílio Vaticano II), a
fonte primeira e principal da catequese é a Sagrada Escritura,
lida e vivida, a partir da realidade da vida, particularmente do mundo
dos pobres.
Como
se trata de um Diretório Geral o documento oferece reflexões
e princípios, mais que aplicações imediatas e diretrizes
práticas. A convicção da Sé Apostólica
é de que se, desde o começo, se compreende, de modo correto
e com clareza, a natureza e os fins da catequese e também as verdades
e valores que devem ser transmitidos, é possível evitar
falhas e erros em matéria catequética.
Por
outro lado, é dos Episcopados, a competência específica
para a aplicação mais concreta dos princípios e enunciados,
através de orientações e diretórios nacionais,
regionais e diocesanos, de catecismos e outros meios que considerem mais
idôneos para promover eficazmente a catequese.
Uma
outra finalidade do DGC (cf. n. 11) é prestar uma ajuda para a
redação de Diretórios Catequéticos e Catecismos
nacionais, regionais e locais.
2.2-
Exigências. Os responsáveis pela redação do
novo Diretório Geral para a Catequese se colocaram algumas exigências
ao longo do árduo trabalho. Elencamos as principais, pois nos orientam
na leitura e uso do DGC:
a)
enquadrar a catequese na evangelização, como fora solicitado
pelas Exortações Apostólicas Evangelii Nuntiandi
(Paulo VI, 1975) e Catechesi Tradendae (João Paulo II, 1980);
b)
assumir no DGC os conteúdos da fé propostos pelo Catecismo
da Igreja Católica (CaIC).
c)
recolher o fundamental do Concílio Vaticano II, do Magistério
da Igreja no pós-concílio, da vida da Igreja e do mundo
contemporâneo;
2.3-
Destinatários. Segundo o DGC, ao número 11, “os destinatários
do Diretório são principalmente os bispos, as Conferências
Episcopais e, em geral, quantos, sob o mandato deles, desempenham uma
responsabilidade no campo da catequese. É óbvio que o Diretório
pode ser um instrumento válido para a formação dos
candidatos ao sacerdócio, para a formação permanente
dos presbíteros e para a formação dos catequistas”
e de todos os leigos e leigas.
Podemos
interpretar como um lapsus, da redação e da revisão,
o fato de os(as) religiosos(as) não serem explicitamente citados
aqui, pois evidentemente este Diretório é válido
também tanto para a formação dos(as) candidatos(as)
à Vida Religiosa como para a formação permanente
dos religiosos e das religiosas.
Exposição
Introdutória
O
anúncio do evangelho no mundo contemporâneo
Esta
exposição introdutória pretende estimular os pastores
e os agentes da catequese a tomarem consciência da necessidade de
olhar para o campo semeado e a fazê-lo a partir de uma perspectiva
da fé e de misericórdia.
14
- 15. A parábola do Semeador é fonte inspiradora para a
evangelização. A qualidade de terreno é muito variada,
com tensões, conflitos e os problemas do mundo. A semente do Evangelho
fecunda a história dos homens e preanuncia uma colheita abundante.
Jesus faz também uma advertência: somente o coração
bem disposto germina a Palavra de Deus.
Um
olhar ao mundo, a partir da fé
16.
Os cristãos, inseridos nos mais variados contextos sociais, olham
o mundo com os mesmos olhos com que Jesus contemplava a sociedade do seu
tempo. À luz da história, o mundo se mostra ao mesmo tempo
“criado e conservado pelo amor do Criador, reduzido à servidão
do pecado e libertado por Cristo crucificado e ressuscitado, com a derrota
do Maligno”.
O
cristão sabe que a cada realidade e evento humano subjazem ao mesmo
tempo:
-
a ação criadora de Deus;
-
a força que deriva do pecado;
-
o dinamismo que nasce da Páscoa de Cristo.
É
importante que a catequese saiba iniciar os catequizandos a uma leitura
teológica dos problemas do mundo.
O
campo do mundo
17.
A Igreja vê com profunda dor uma multidão inumerável
de pessoas humanas concretas e irrepetíveis, que sofrem sob o peso
intolerável da miséria. Por meio da catequese, na qual o
ensinamento social da Igreja ocupe o seu lugar, ela deseja suscitar no
coração do cristão o empenho pela justiça
e a opção ou amor preferencial pelos pobres, de modo que
a sua presença seja realmente luz que ilumina e sal que transforma.
Os
direitos humanos
18.
A Igreja é muito sensível a tudo aquilo que ofende a dignidade
da pessoa humana, por isso seu olhar abrange os indicadores econômicos,
sociais, culturais e religiosos. Ela busca o progresso integral das pessoas
e dos povos. A Igreja percebe, com alegria, que uma corrente benéfica
já se alastra e permeia todos os povos da terra, tornando-os cada
vez mais conscientes da dignidade da pessoa humana. Esta consciência
se manifesta pelo respeito dos direitos humanos.
19.
Em numerosos lugares e em aparente contradição com a sensibilidade
pela dignidade da pessoa, os direitos humanos são violados. A obra
evangelizadora da Igreja, neste vasto campo dos direitos humanos, tem
uma tarefa irrenunciável: promover a descoberta da dignidade inviolável
de cada pessoa humana.
A
cultura e as culturas
20.
A Gaudium et Spes sublinha a grande importância da ciência
e da técnica na gestação e no desenvolvimento da
cultura moderna. A mentalidade científica que delas emana modifica
profundamente a cultura e os modos de pensamento, com grandes repercussões
humanas e religiosas. Todavia, a consciência de que este tipo de
racionalidade não pode explicar todas as coisas ganha sempre mais
terreno. A reflexão sobre a linguagem mostra, por exemplo, que
o pensamento simbólico é uma forma de acesso ao mistério
da pessoa humana, contrariamente inacessível, que integre sua afetividade,
dando sentido mais pleno à sua vida.
21.
Hoje se constata um desejo crescente de revalorizar as culturas autóctones.
a) Há lugares onde se toma viva consciência de que as culturas
tradicionais são agredidas por influências externas dominantes.
b) Constata-se a enorme influência dos meios de comunicação.
A evangelização encontra na inculturação um
de seus maiores desafios. À luz do Evangelho, a Igreja deve assumir
todos os valores positivos da cultura e das culturas e rejeitar aqueles
elementos que impedem as pessoas e os povos de alcançarem o desenvolvimento
de suas autênticas potencialidades.
A
Situação religiosa e moral
22.
Na cultura atual existe uma persistente difusão da indiferença
religiosa: a) O ateísmo, como negação de Deus, numa
visão autonomista do homem e do mundo segundo a qual esse mundo
se explicaria por si mesmo, sem ser necessário recorrer a Deus;
b) Constata-se um retorno ao sagrado, de modo amplo e vital, o despertar
da procura religiosa.
23.Percebe-se
um obscurecimento da verdade ontológica da pessoa humana, um relativismo
ético que tira à convivência civil qualquer ponto
seguro de referência moral. A evangelização encontra
no terreno religioso moral um ambiente de atuação privilegiado,
para anunciar Deus e testemunhá-lo diante do mundo. Esta é
a missão primordial da Igreja. E à catequese cabe proporcionar
o encontro com o Deus e fortalecer o vínculo permanente de comunhão
fraterna.
A
Igreja no campo do mundo
A fé dos cristãos
24.
A renovação catequética, desenvolvida na Igreja durante
as últimas décadas, está dando frutos positivos.
Deu origem a uma tipologia de cristãos conscientes de sua fé
e coerente com esta em sua vida. Favoreceu neles: a) uma nova experiência
vital de Deus; b) uma redescoberta mais profunda de Jesus Cristo; c) o
sentir-se mais co-responsável pela missão da Igreja no mundo;
d) a tomada de consciência das exigências sociais da fé.
25.
Há os que são tocados pela atmosfera de secularismo e de
relativismo ético: a) os não- participantes, para estes,
redespertá-los para a fé é um verdadeiro desafio
para a Igreja; b) os de sentimentos religiosos sinceros e com uma religiosidade
popular, necessitam reposicionar e amadurecer a sua fé sob uma
luz diversa.
26.
Há um certo número que esconde a própria identidade
cristã. Estas situações exigem uma nova evangelização,
o anúncio missionário e a catequese, tendo como prioridade
os jovens e adultos.
A
vida interna da comunidade eclesial
27.
A Igreja acolheu o Concílio Vaticano II e o fez frutificar. As
quatro constituições - Sacrosanctum Concilium, Lumem Gentium,
Dei Verbum e Gaudium et Spes- fencundaram a Igreja: a) a vida litúrgica
é compreendida mais profundamente; b) o povo de Deus adquiriu uma
consciência mais viva do sacerdócio comum, radicado no Batismo;
c) adquiriu um sentido mais vivo da Palavra de Deus; d) a missão
da Igreja no mundo é sentida de maneira nova, a exigência
de uma evangelização ligada à promoção
humana.
28.
Reconhecemos, também, carências e dificuldades: a) enfraqueceu-se
o sentido da pertença eclesial; b) constata-se uma desafeição
para com a Igreja; c) posições parciais e opostas na interpretação
e aplicação do Vat.II conduziram a fragmentações
e prejudicaram o testemunho de comunhão. A ação evangelizadora
da Igreja, e nesta a catequese, deve buscar uma sólida coesão
eclesial e aprofundar uma eclesiologia de comunhão, para gerar
nos cristãos, uma profunda espiritualidade.
Situação
da catequese: a sua vitalidade e os seus problemas
29.
Aspectos positivos: a) O grande número de sacerdotes, religiosos
(as), e leigos (as) que se consagram à catequese com grande entusiasmo
e perseverança; b) o caráter missionário da catequese
e a sua propensão em assegurar a adesão à fé;
c) o incremento da catequese de adultos; d) o pensamento catequético
ganhou mais profundidade e densidade.
30.
Alguns problemas: a) o conceito de catequese como escola da fé;
b) O conceito de Revelação e Tradição e quase
que exclusiva alusão à Sagrada Escritura. A inter-relação
entre a Sagrada Escritura, Tradição e Magistério,
cada qual faz segundo seu próprio modo; c) uma apresentação
mais equilibrada de toda a verdade do mistério de Cristo - uns
só insistem na humanidade outros só na divindade.
Problemas de conteúdos: a) lacunas doutrinais no que concerne à
verdade sobre Deus e sobre o homem, sobre o pecado e a graça e
sobre os Novíssimos; b) uma ligação fraca e fragmentária
com a liturgia; c) não se dá a devida atenção
às exigências e à originalidade da pedagogia da fé;
d) saber transmitir o Evangelho no limite do horizonte cultural dos povos;
e) a formação para o apostolado e para a missão.
A
semeadura do Evangelho
31.
O semeador envia os seus operários para anunciar o Evangelho a
todo o mundo, comunicando-lhes a força do Espírito.
Como
ler os sinais dos tempos
32.
À luz da fé e com uma atitude de compaixão, valendo-se
das ciências humanas, a Igreja busca descobrir o sentido da situação
atual, no âmbito da história da salvação.
Desafios
33.
Desafios e orientações que devemos assumir: a) ser um válido
serviço à evangelização; b) os adultos são
os destinatários privilegiados, em seguida as crianças,
adolescentes e jovens; c) deve plasmar a personalidade cristã,
seguindo a pedagogia cristã (da fé); d) anunciar os mistérios
essenciais do cristianismo, promovendo a experiência trinitária;
e) ter como tarefa prioritária a preparação e a formação
de catequistas de fé profunda.
Primeira
Parte
A
catequese na missão evangelizadora da Igreja
Introdução
- A Primeira parte” [que corresponde à 2ª do Diretório
antigo] é articulada em três capítulos e enraíza
de forma mais acentuada a catequese na Constituição DV,
colocando-a no quadro da evangelização presente em EN e
CT. Propõe-se, além disso, um esclarecimento da natureza
da catequese”.
35.
Objetivo: “definir o caráter próprio da catequese”
(35 a). I cap.: estrutura teológica da catequese a partir do conceito
de Revelação (DV) e do Ministério da Palavra. Os
conceitos de Palavra de Deus, Evangelho, Reino de Deus e Tradição
da DV “fundam o significado de catequese” (35 a) e o conceito
de Evangelização “é referencial obrigatório
para a catequese”. II cap.: “a catequese no quadro da evangelização”
e sua relação “com as demais formas de ministério
da palavra”. III cap.: a catequese em si mesma = natureza eclesial,
finalidade ligada à comunhão com Jesus Cristo, deveres e
inspiração catecumenal. - Evolução semântica
do termo catequese; aqui: magistério pós-conciliar... EV,
CT, RM.
1o Capítulo
Revelação
e sua transmissão mediante a Evangelização
36
- 41. Após uma premissa tirada do CaIC (o ser humano capaz de Deus),
apresenta a Revelação a partir da DV numa perspectiva personalista
(36), trinitária e salvífica (37), histórica (fatos
e palavras, binômio inseparável), conforme a pedagogia divina
(progressivamente, etapas - 38), modelo da evangelização
e catequese (39). Jesus Cristo: “Palavra única, perfeita
e insuperável” é o centro desta revelação
através da encarnação (assume nossa história).
Daí o cristocentrismo da evangelização e catequese
que implica o discipulado (41)
43
- 45. A Igreja sob ação do E. Santo é transmissora
da Revelação; há uma insistência sobre o fundamento
nos Apóstolos; a tradição apostólica perpetua-se
na Igreja que no seu todo, pastores e fiéis, vigia por sua conservação
e transmissão (43). Nela se mantém vivo e íntegro
o Evangelho. Relação entre Tradição, Escritura
e Magistério. A Igreja evangeliza pela palavra e sacramentos. Ao
falar da obediência da fé ressalta-se tanto a dimensão
existencial (adesão livre ao Evangelho da graça), quanto
intelectual (assentimento do intelecto e vontade) 45.
46
- 48. Descreve a Evangelização a partir da EN, como processo
complexo a ser vivido na sua totalidade (anúncio, testemunho, ensinamento,
sacramentos, amor ao próximo, fazer discípulos) e bipolaridade:
testemunho e anúncio, palavra e sacramento, mudança interior
e transformação social (46). Nos passos da AG expõe
a dinâmica do processo evangelizador: testemunho, diálogo,
caridade, anúncio e apelo à conversão, catecumenato
e iniciação cristã, formação da comunidade
cristã por meio dos sacramentos e ministérios (47). Aprofunda
no nº 48, colocando a caridade e inculturação em primeiro
lugar”; a catequese (1ª aparição!) “inicia
na fé... aqueles que se convertem a Jesus Cristo ou que retomam
o caminho de sua seqüela, incorporando-os ou reconduzindo-os à
comunidade cristã”.
49.
O processo evangelizador no seu conjunto apresenta três etapas ou
momentos essenciais (49): 1) ação missionária para
os não fiéis e os que vivem na indiferença; 2) ação
catequética e de iniciação para os que optam pelo
Evangelho e os que precisam completar ou estruturar sua iniciação;
3) ação pastoral para cristãos maduros no seio da
comunidade. Esta distinção irá relativizar o conceito
de catequese permanente (nota 64).
50.
O ministério da Palavra (anúncio, palavra humana) é
intimamente vinculado às “obras que Deus realizou e continua
a realizar” (liturgia), ao testemunho e ação transformadora,
com uma forte dimensão pneumatológica. Entretanto, falando
dos ministros da palavra, sua força maior recai sobre os ministros
ordenados, quase que relativizando a força do sacerdócio
batismal: (cf nota 55 do nº 50), pelo qual os catequistas leigos
não seriam propriamente ministros da palavra; aí cita-se
muito João Paulo II e se esquece da EN 73, que chama a catequese
como um autêntico ministério (cf CNBB, Formação
de Catequistas 18 nota 13). Este fechamento é um dos pontos fracos
do DGC.
51.
São consideradas 5 formas do ministério da Palavra (nº
51): convocação e chamado à fé, iniciação,
educação permanente à fé, liturgia e teologia.
A catequese é a segunda, relacionada com os “sacramentos
da iniciação, tanto se estes devem ser ainda recebidos [adultos],
quanto se já o foram” (51b). Esta catequese possui seis formas:
1) Adultos não batizados [catecumenato]; 2) Adultos batizados que
desejam retornar à fé; 3) os que precisam completar sua
iniciação; 4) crianças e jovens que se iniciam na
fé. E se acrescentam: 5) a educação familiar cristã;
6) ensino religioso escolar, ambos com funções de iniciação.
53
- 57. O texto aprofunda inicialmente a conversão e a fé,
vistas nas perspectivas do CaIC, DV e EN (54). Relevam-se na fé
os aspectos de entrega a Deus e adesão à verdade (ação
objetivo-subjetiva da pessoa humana) e a ação da graça
(ação de Deus). O princípio da interação
está presente: “A fé comporta uma transformação
de vida... em todos os níveis da existência cristã:
vida interior.... atividades econômicas” (55). A conversão
possui uma dimensão permanente que implica (56): a)o interesse
pelo evangelho, b) aprofundamento da conversão inicial, c) profissão
de fé (conhecimento da fé e aprendizado da vida cristã,
caminho espiritual, renúncias, lutas, alegrias... caminho catecumenal),
d) busca da perfeição: o primeiro anúncio (missão)
está a serviço do primeiro item; a catequese está
em função do segundo e terceiro (aprofundamento e profissão
de fé) e a educação permanente (pastoral), do quarto
(57: cf nº 49).
58.
A Evangelização em seu sentido amplo requer uma atenção
especial para com três situações sócio-religiosas:
1. os que não conhecem o Evangelho - para eles a catequese se desenvolve
no interior do catecumenato batismal; 2. Comunidades cristãs que
irradiam o testemunho evangélico - estas precisam de uma intensa
ação pastoral da Igreja; aí a catequese às
crianças e jovens tem dimensão de iniciação
cristã e aos adultos são destinatários da formação
cristã; 3. Grupos de batizados que perderam o sentido da fé:
necessitam de uma nova evangelização; a opção
será pela ação missionária (primeiro anúncio)
e catequese de base (58). Diversas situações convivem no
mesmo território, de modo que os limites entre cuidado pastoral,
nova evangelização e atividade missionária nem sempre
são identificáveis.
59.
O conjunto das ações evangelizadoras devem levar em conta:
a) A missão ad gentes é a principal missão da Igreja
e modelo exemplar do conjunto da ação missionária.
b) O modelo de toda a catequese, quer em suas formas, como objetivos e
dinamismos, é o catecumenato batismal. c) A catequese de adultos
é a principal forma de catequese, para a qual as outras estão
orientadas (59).
Conclusão:
a catequese, situada dentro da evangelização, recebe dela
o dinamismo missionário que a fecunda e configura na sua identidade;
por isso, o ministério da catequese mostra-se como um serviço
eclesial fundamental na realização do mandato missionário
de Jesus.
2o
Capitulo
A catequese no processo de Evangelização
60.
Apresenta a catequese relacionada com as demais formas do Ministério
da Palavra, relacionando também catequese com ensino religioso
escolar e educação familiar.
Catequese
e Primeiro Anúncio
61
- 62. Ligada ao primeiro anúncio aos não crentes (“ide”)
a catequese visa amadurecer a conversão inicial e integrar na comunidade
cristã (“aquele que crer”). Muitas vezes pessoas que
aderem à catequese não estão convertidos e precisam
de uma verdadeira evangelização. Na situação
de missão ad gentes esta catequese se realiza no âmbito do
pré-catecumenato. Na situação de nova evangelização
se realiza por meio da catequese kerigmática (pré-catequese)
pois orienta a uma sólida opção de fé. A catequese,
que é propriamente educação da fé, supõe
esta opção, conversão.
Catequese
e os Sacramentos da Iniciação
63
- 68. A catequese como parte da missão da igreja, tem um antes
(ações que preparam) e um depois (ações que
derivam). O momento da catequese é o que corresponde ao período
em que se estrutura a conversão. Os convertidos, através
do ensino e um aprendizado devidamente prolongado no decorrer de toda
a vida, são iniciados no mistério da salvação
e num estilo de vida evangélica. (63). A catequese lança
os fundamentos do edifício cristão. Tem um elo com a ação
missionária (antes) e ação pastoral (depois) (64).
É elemento fundamental da iniciação cristão,
especialmente o batismo. “O elo que une a catequese ao Batismo é
a profissão de fé, que é ao mesmo tempo elemento
interior a este sacramento e meta da catequese. Três características
da catequese de iniciação: a) Formação orgânica
e sistemática; b) Aprendizado de toda vida cristã (iniciação
integral), seguimento de Cristo... assumir compromissos; c) Formação
de base, concentração no essencial da experiência
cristã, nas certezas mais fundamentais da fé. Enfim: não
é mero ensino, mas formação para a vida cristã;
é essencial e não entra em questões disputadas nem
se aventura na pesquisa teológica; incorpora na comunidade que
vive, celebra e testemunha a fé.
Catequese
e a educação permanente à fé
69
- 72. Dá prosseguimento à educação de base
(catequese de iniciação). Este processo permanente acontece
na comunidade, particularmente na mesa da Palavra (Evangelho) e mesa Eucarística.
Destinatários: toda comunidade. Meta: amor a Deus e aos irmãos,
abertura ao mundo, ação missionária. A homilia ocupa
lugar privilegiado (70). Formas desta educação permanente:
estudo da Palavra de Deus (lectio divina), leitura cristã dos acontecimentos
(doutrina social), catequese litúrgica, catequese ocasional, ensino
teológico. É preciso que todas estas formas estejam bem
conexas no projeto catequético (nº 71). Observação:
conforme todo espírito do documento e principalmente da nota 64
do nº 51, o conceito de catequese se restringe às atividades
de iniciação cristã tanto de crianças e jovens,
como principalmente de adultos; a educação da fé,
aprofundamento da vida cristã de pessoas já verdadeiramente
iniciadas na fé, seria uma atividade da formação
permanente e não propriamente catequese (e isto é função
de toda pastoral da Igreja). Entretanto, em vários lugares mantém-se
a terminologia catequese permanente (82, 232, 235, etc.).
Catequese
e Ensino Escolar da religião
73
- 76. Está no âmbito do ministério da palavra. Distinto
da catequese, mas complementar. Torna presente o Evangelho no processo
pessoal de assimilação, sistemática e crítica,
da cultura, veiculada na escola. É uma disciplina escolar e deve
apresentar o evento cristão com a mesma seriedade e profundidade
das outras, num diálogo inter-disciplinar. Conteúdo: visão
cristã da origem do mundo, sentido da história, fundamento
dos valores éticos, função da religião na
cultura, destino da humanidade, relação com a natureza (73).
Destinatários (mais do que na catequese, aqui se deveria falar
de interlocutores): os católicos têm direito a conhecer mais
profundamente a pessoa de Cristo; deve-se oferecer um ensino confessional
às famílias e alunos que escolhem tal ensino. Na escola
católica é parte indispensável de sua tarefa pedagógica.
Na escola pública ou não confessional onde o ERE é
comum a católicos e não católicos, deve assumir dimensão
ecumênica e de conhecimento inter-religioso. Em outras ocasiões
o ERE terá um caráter mais cultural dando realce à
religião católica e poderá ter a dimensão
de uma preparação evangélica. (74) Concluindo: a
educação cristã das crianças e adolescentes
está intimamente relacionada com a família, catequese e
ERE. Na prática deve-se levar em conta as diferentes variáveis
que se apresentam, para agir com realismo e prudência pastoral.
Nisto têm função importante as dioceses e conferências
episcopais.
3o
Capítulo
Natureza,
finalidade e tarefas da catequese
77.
O cap. anterior estudou a relação da catequese com as demais
ações eclesiais. Aqui se analisa a catequese enquanto tal:
sua natureza e finalidade (comunhão com JCristo), seus deveres
e sua inspiração catecumenal (metodologia para respeitar
a gradualidade do processo catequético).
78
- 79. A natureza da catequese é antes de tudo eclesial. É
um ato da Igreja que transmite a fé que ela vive; esta transmissão
(durante todo o documento se usa este conceito e, não tanto, comunicação,
muito mais vital) acontece de um modo ativo: o catecúmeno e catequizando
recebe a fé que lhe é entregue(traditio) e a restitui (reditio)
enriquecida “culturalmente”. A Igreja é Mãe,
educadora, alimenta a fé de seus filhos com o Evangelho.
82-83.
Finalidade: é a comunhão, intimidade com Jesus Cristo. A
catequese aprofunda a primeira adesão a Ele (80) e une o cristão
a tudo a que Cristo se sentia unido: ao Pai, E. Santo, Igreja, irmãos,
missão (81). Daí o cristocentrismo, que é trinitário;
a profissão de fé trinitária é ponto de partida
e de chegada da catequese. A Fé cristológica (Jesus é
o Senhor) une-se à fé trinitária (Creio no Pai, Filho
e Espírito Santo). É uma fé eclesial, individual,
mas, também, comunitária (eu creio, nós cremos).
84
- 85. Tarefas fundamentais: a catequese é uma educação
da fé em todas as dimensões. A fé deve ser conhecida,
celebrada, vivida e traduzida em oração. E isto sempre dentro
da comunidade. Daí quatro tarefas fundamentais (85): a) Favorecer
o conhecimento da fé (atitude = fides qua e conteúdo = fides
quae) . Sua expressão e, portanto, fonte da catequese, é
o Credo. b) Educação litúrgica: celebração
dos sacramentos, catequese mistagógica; c) Formação
moral: seguimento de Cristo (a palavra seqüela usada na tradução
portuguesa tem sentido pejorativo!), através das Bem-aventuranças
e Mandamentos; d) Formação na oração: catequese
sobre o Pai Nosso. Nestes quatro ítens encontram-se quatro fontes
da catequese (Credo, Liturgia, Bem-aventuranças-Mandamentos e Pai
Nosso), que constituem justamente as quatro partes do CaIC.
86.
Outras tarefas igualmente importantes: 1) Educação para
a vida comunitária: partindo de Mt (evangelho da comunidade) apresentam-se
cinco atitudes da vida cristã (a) e, neste contexto comunitário,
se fala da educação para o ecumenismo (b). 2) Educação
para a missão no mundo e na Igreja (a) e neste contexto fala-se
da educação para o diálogo inter-religioso (b).
87.
Considerações sobre o conjunto destas tarefas: todas elas
são necessárias, devem ser articuladas, implicam-se mutuamente;
os grandes meios para realizá-las não é somente a
transmissão da mensagem, mas também proporcionar a experiência
cristã particularmente na Liturgia. Tudo isso é dom de Deus
e leva ao compromisso, testemunho. O último item deste nº
87 (pg. 87) é importantíssimo e de muita conseqüência
para a catequese: fala do enraizamento da experiência cristã
dentro da experiência humana e aponta seis ítens interessantes
desta dimensão humana fundamental para a catequese.
88
- 90. Gradualidade da catequese: como na revelação divina
também a catequese deve ser “gradual, por etapas”.
Ora, o catecumenato batismal é a forma de catequese que mais favorece
esta gradualidade, por causa de seus “passos” bem claros,
definidos e crescentes. Por isso, a partir destes números 88-89
e ao longo de todo o documento se insiste no catecumenato batismal como
fonte inspiradora e modelo de qualquer forma de catequese. Ou seja: a
catequese pré-batismal torna-se também modelo da catequese
pós-batismal (seja para crianças e jovens, como principalmente
para os adultos). [Atenção: não confundir esta dimensão
catecumenal da catequese com o movimento catecumenal. O documento não
está canonizando o movimento catecumenal mas apontando o antigo
catecumenato batismal, de onde nasceu a catequese, como modelo mais eficaz
hoje, para a catequese]. Nos nºs 88-89 são apontados estes
quatro graus da “grande tradição catecumenal”
patrística, que são aprofundados nos nºs seguintes.
No último parágrafo deste capítulo se fala que não
se trata de “reproduzir mimeticamente” o catecumenato antigo,
mas de “inspirar-se nesta escola preparatória à vida
cristã”. Esta acentuação catecumenal da catequese
é, propriamente, a maior novidade apresentada pelo novo Diretório
que tem, particularmente neste ponto, grande influência da experiência
e tradição recente da catequese na Espanha. Deve-se reconhecer,
por outro lado, que são integrados alguns elementos, embora timidamente,
da nossa tradição latino-americana (dimensão experiencial,
comunitária, bíblica e transformadora da catequese.
Segunda
Parte
A
mensagem evangélica
A
fé pode ser considerada sob um duplo aspecto:
-
como adesão a Deus (confiança, abandono...);
-
como conteúdo da Revelação (conhecimento da Palavra).
A
2a parte do DGC aborda o segundo aspecto (o conteúdo)
Há
dois capítulos:
1.
Normas e critérios para a apresentação da mensagem
2.
O conteúdo conforme o CaIC e critérios para catecismos locais
1o
Capítulo
Normas
e critérios para a apresentação da mensagem evangélica
na catequese
A
fonte da catequese é a Palavra de Deus (Tradição
e Escritura)
94.
A Palavra é Jesus Cristo, o Verbo feito homem, e sua voz ressoa,
por meio do Espírito Santo, na Igreja e no mundo.
A
Palavra de Deus chega a nós por meio de "obras e palavras
humanas" que precisam ser interpretadas continuamente pela Igreja,
guiada pelo Espírito.
A
fonte e as fontes da mensagem da catequese
95.
A Palavra de Deus é
-
meditada e compreendida por meio do senso de fé de todo o Povo
de Deus, sob a orientação do Magistério;
-
celebrada, proclamada, ouvida e interiorizada na Liturgia;
-
resplende na vida da Igreja (testemunho cristão);
-
aprofundada na pesquisa teológica;
-
manifesta-se nos genuínos valores religiosos e morais (sementes
da Palavra) na sociedade humana e nas culturas
96.
Tradição, Escritura e Magistério são as fontes
essenciais da catequese.
Os
critérios para a apresentação da mensagem
97.
1. Mensagem centrada na pessoa de Jesus Cristo (cristocentrismo) que introduz
à dimensão trinitária.
2.
O anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, centrado no dom da salvação,
implica numa mensagem de libertação.
3.
O caráter eclesial da mensagem remete ao seu caráter histórico
(tempo da Igreja)
4.
Uma vez que a Boa Nova se destina a todos os povos, busca a inculturação
(com integridade e pureza)
5.
Mensagem orgânica com uma própria hierarquia de verdade.
O
Cristocentrismo da mensagem evangélica
98.
No centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa: Jesus de
Nazaré, Filho único do Pai. A tarefa fundamental da catequese
é apresentar Cristo; todo o resto em referência a ele.
-
Jesus está no centro da história da salvação,
evento último para o qual converge toda a história sagrada.
Ele é a chave, o centro e o fim, o sentido último da história
humana.
-
A mensagem evangélica não provém do homem, mas é
Palavra de Deus. A catequese deve transmitir aquilo que Jesus ensina a
propósito de Deus, do homem, da felicidade, da vida mortal, da
morte...
-
Os Evangelhos estão no centro da mensagem catequética.
O
cristocentrismo trinitário
99
-100. Jesus remete constantemente ao Pai, de quem se sabe Filho Único,
e ao Espírito Santo, do qual se sabe Ungido. Ele é o Caminho
que introduz no mistério íntimo de Deus.
O
mistério da SS. Trindade é o mistério central da
fé e da vida cristã. Por Cristo, ao Pai, no Espírito.
A
humanidade, criada à imagem de um Deus que é comunhão
de pessoas, é chamada a ser uma sociedade fraterna, filhos de um
mesmo Pai, iguais em dignidade pessoal.
A
Igreja se autocompreende como "um povo agregado na unidade do Pai,
do Filho e do Espírito Santo".
Uma
mensagem que anuncia a salvação
101-102.
A mensagem de Jesus sobre Deus é uma boa nova para a humanidade.
Jesus, de fato, anunciou o Reino de Deus: uma nova e definitiva intervenção
de Deus, com um poder transformador tão grande e até mesmo
superior àquele que utilizou na criação do mundo.
Neste sentido, Cristo anuncia a salvação, esse grande dom
de Deus que é não somente libertação de tudo
aquilo que oprime o homem, mas sobretudo libertação do pecado
e do maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por ele conhecido,
de vê-1o e de se entregar a ele.
-
Cristo anuncia Deus, Pai, operando com amor. O testemunho sobre Deus como
Pai é fundamental na catequese,
- Cristo introduz na comunhão com o Pai (filiação
divina) e promete a vida eterna.
-
Jesus, ao anunciar o Reino, anuncia a justiça de Deus. O anúncio
do juízo de Deus, com o seu poder de formação das
consciências, é um conteúdo central do Evangelho e
uma boa nova para o mundo.
O
Reino de Deus é um Reino de justiça, amor e paz, à
luz do qual seremos julgados.
-
Jesus declara que o Reino de Deus se inaugura com ele. Ele é o
Senhor e vai entregar o Reino ao Pai.
-
A Igreja é germe e início do Reino. Está a serviço
deste Reino.
-
A história da humanidade é assumida por Deus para ser transformada.
Já oferece uma pregustação do mundo futuro. A evangelização
não pode deixar de comportar o anúncio profético
do além, vocação profunda e definitiva do homem,
ao mesmo tempo em continuidade e em descontinuidade com a situação
presente.
Mensagem de libertação
103.
Jesus se dirigia, de um modo particular, aos pobres (As Bem-aventuranças)
A
Igreja compartilha esta sensibilidade
104.
A catequese estará atenta aos seguintes aspectos:
-
Situar a mensagem de libertação na perspectiva especificamente
religiosa da evangelização. A mensagem da libertação
não pode ser limitada simplesmente à dimensão econômica,
política, social e cultural, mas deve ter em vista o homem todo,
incluindo a sua abertura para o Absoluto, Deus.
-
Na tarefa da educação moral, apresentará a moral
social cristã (cumprimento do grande mandamento do amor).
-
A catequese suscitará nos catequizandos a opção preferencial
pelos pobres. Esta opção não é exclusiva,
mas comporta o empenho pela justiça, segundo o papel, a vocação
e as circunstâncias pessoais.
A
eclesialidade da mensagem evangélica
105.
A catequese tem sua origem na confissão da fé da Igreja.
É o processo de transmissão do Evangelho tal como a comunidade
cristã o recebeu, compreende, celebra e comunica. Comporta a fé
dos apóstolos, dos mártires e santos, dos padres da Igreja,
dos missionários, teólogos, pastores e de todos que crêem.
É uma fé só, um só Batismo, um só Deus
e Pai (Ef 4,5).
O
caráter histórico do mistério da salvação
107.
A "economia da salvação" tem um caráter
histórico - se realiza no tempo. É o tempo da Igreja peregrina,
em missão.
A
Igreja transmite a mensagem cristã, "recorda" constantemente
os eventos salvíficos da passado e interpreta, à luz dos
mesmos, os atuais eventos da história humana.
Consequências
para a catequese
108.
Apresentar a história da salvação por meio de uma
catequese bíblica: as grandes etapas do A.T., a vida de Jesus,
a história da Igreja;
-
Através de uma catequese doutrinal (símbolo da fé
e moral cristã) iluminar o "hoje" da salvação.
-
Situar os sacramentos que revivem os grandes acontecimentos no "hoje"
da Liturgia.
-
Levar a descobrir
-
por detrás da humanidade de Jesus a sua condição
de Filho de Deus
-
por detrás da História da Igreja, ver o seu mistério
da História da Salvação
-
por detrás dos "sinais dos tempos" ver as pegadas da
presença de Deus e os sinais do seu plano.
A
inculturação da mensagem evangélica
109.
A Palavra se fez homem, situado no tempo e espaço, numa cultura
determinada.
Inculturação
é a penetração do Evangelho "nos estratos mais
recônditos das pessoas e dos povos...até as suas raízes,
a cultura e as culturas do homem".
Necessário
é o discernimento. Por um lado, assumir as riquezas culturais compatíveis
com a fé e purificar e transformar o que está em contraste
com o Reino de Deus.
Dois
princípios de base:
-
compatibilidade com o Evangelho
-
comunhão com a Igreja universal.
Consequências
para a catequese
110.
A comunidade eclesial é o principal fator de inculturação,
representada pelo catequista que deve ser bem radicado no seu ambiente
cultural.
-
Elaborar catecismos locais
-
Inculturação no Catecumenato
-
Diálogo "fé-cultura" é necessário
nas atuais culturas pós-cristãs.
A
integridade da mensagem evangélica
111.
A mensagem seja transmitida na sua integridade, sem deixar em silêncio
nenhum aspecto fundamental ou sem fazer seleção. Porém,
gradual e progressivamente, de acordo com a capacidade dos catequizandos.
112.
Apresentar a mensagem autêntica sem reduzir as suas exigências
e nem impor pesados ônus que a mensagem não inclui.
113.
Saber aceitar os valores verdadeiramente humanos e religiosos sem cair
em fáceis acomodações e enfraquecer o Evangelho ou
secularizar a Igreja.
Uma
mensagem orgânica e hierarquizada
114.
Transmitir a mensagem orgânica e hierarquizada. Ela se organiza
em torno do Mistério da SS. Trindade numa perspectiva cristocêntrica.
Depois, uma hierarquia de verdades. Algumas verdades se alicerçam
sobre outras e por elas são iluminadas.
115.
Todos os aspectos da mensagem participam desta dimensão orgânica:
1)
História da Salvação - Jesus Cristo no centro.
2)
Símbolo apostólico, síntese e chave de leitura de
toda a Escritura e da doutrina da Igreja
3)
Os Sacramentos ( Eucaristia central)
4)
O amor a Deus e ao próximo (mensagem moral - mandamentos)
5)
Pai Nosso - oração
Uma
mensagem significativa para a pessoa humana
116.
Jesus Cristo, imagem do Deus invisível, é também
o homem perfeito. Nele se torna claro o mistério do homem. Ele
viveu toda a experiência humana. A catequese procura colocar a pessoa
humana em comunhão com Jesus Cristo, levando-a a pensar, agir e
amar como Ele.
Consequências
para a catequese
117.
O anúncio do Evangelho se fará sempre em íntima conexão
com a natureza humana e suas aspirações, mostrando como
ele satisfaz plenamente o coração humano.
-
Na catequese bíblica, interpretar a vida humana atual à
luz das experiências vividas pelo Povo de Israel, por Jesus Cristo,
pelas comunidades cristãs onde o Espírito do Cristo ressuscitado
está presente.
-
Símbolo: os grandes temas da fé como fonte de vida e luz
para o ser humano
-
Catequese moral (as bem-aventuranças)
-
Catequese litúrgica, referentes às grandes experiências
humanas.
Princípios metodológicos
118.
Pode-se partir de Deus para chegar a Cristo e v.v. Partir do homem para
chegar a Deus e v.v. Isto depende das circunstâncias.
-
Procurar encontrar o método pedagógico mais apropriado às
circunstâncias e aos destinatários.
2o
Capítulo
Catecismo
da Igreja Católica
119.
A Igreja sempre se valeu de formulações da fé. Apresentou
uma exposição orgânica da fé mediante um catecismo
universal no Concílio de Trento, e agora apresenta o CaIC (11-10-92)
CaIC
e DGC são dois instrumentos distintos e complementares.
CaIC
é uma exposição da fé da Igreja.
120.
DGC é um instrumento metodológico para a aplicação
do CaIC.
O
Catecismo da Igreja Católica
121.
Sua finalidade: apresentar uma exposição orgânica
e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina
católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à
luz do Conc. Vat. II e do conjunto da Tradição da Igreja.
-
O CaIC apresenta a única fé recebida dos apóstolos
e está a serviço da comunhão eclesial.
-
É norma para ensinamento da fé
-
É ponto de referência também para os catecismos locais.
O
gênero literário do CaIC.
124.
Traços principais:
-
é um catecismo; um texto oficial do Magistério da Igreja
(Não apresenta interpretações particulares de determinadas
escolas teológicas)
-
É de caráter universal para toda a Igreja. Incorpora a doutrina
do Vat. II e as interrogações religiosas e morais da nossa
época.
O
conteúdo do "depósito da fé" é a
Palavra de Deus, conservada na Igreja.
125-126.
O CaIC não é a única fonte de Catequese, porque não
é superior à Palavra de Deus, mas a ela serve.
É
uma interpretação desta Palavra em vista do anúncio
e da transmissão do Evangelho.
Relação
Sagrada Escritura - CaIC - Catequese
127.
Em todo o ministério da Palavra, a Sagrada Escritura tem uma posição
proeminente. A Catequese deve ser introdução à leitura
da Sagrada Escritura "segundo o Espírito", lendo com
o coração da Igreja (CaIC)
Relação
Sagrada Escritura - CaIC.
128.
São dois instrumentos fundamentais para a ação catequizadora.
A
tradição dos Santos Padres e o CaIC
129.
Junto com a Escritura há a Tradição da Igreja (Santos
Padres).
Aspectos
que merecem a atenção:
-
O catecumenato batismal
-
A progressiva e gradual concepção da formação
cristã, em etapas. O catecúmeno, como o Povo de Israel,
percorre um caminho para chegar à terra prometida: a identificação
batismal com Cristo.
-
Conteúdo da catequese segundo as etapas deste processo. Em meados
do período da Quaresma havia entrega do Símbolo e do Pai
Nosso. Celebração dos sacramentos da iniciação
na Páscoa.
O
CaIC leva à catequese a grande tradição dos catecismos
:
130.
A dimensão cognoscitiva. Não só adesão vital
a Deus, mas também assentimento do intelecto e da vontade à
verdade revelada. Os catecismos recordam a necessidade de um conhecimento
orgânico da fé.
A
educação da fé abraça diferentes dimensões:
uma fé professada, celebrada, vivida e orada.
A
tradição patrística e os catecismos confluem a sete
elementos básicos:
-
as três etapas da narração da HS (A.T. - Jesus Cristo
- História da Igreja);
- as quatro colunas da exposição: Símbolo, sacramentos,
decálogo e Pai Nosso.
Os
catecismos nas Igrejas locais
A
sua necessidade
131.
Os catecismos locais devem levar em conta as diversas situações
e culturas, mas deve-se preservar a unidade da fé e a fidelidade
à doutrina católica.
-
Devem ser elaborados e aprovados pelos bispos diocesanos ou pela Conferência
dos Bispos.
-
Devem comunicar o Evangelho de maneira acessível, a fim de que
possa ser entendido como Boa Nova de Salvação.
Gênero literário de um catecismo local
132.
São os traços principais:
-
seu caráter oficial
-
síntese orgânica e básica da fé
-
que seja oferecido juntamente com a Sagrada Escritura(Este catecismo se
dinstingue de outros trabalhos catequéticos como textos didáticos,
guias para os catequistas etc.)
Os
aspectos da adaptação num catecismo local
133.
O catecismo local deve realizar as adaptações que são
exigidas pelas diferenças de culturas, idades, vida espiritual,
situações sociais e eclesiais.
-
Deve apresentar a síntese da fé em referência à
cultura, expressões originais de vida, de celebração
e de pensamentos que são cristãos.
-
Deve apresentar o mistério cristão conforme a psicologia
e a mentalidade da idade do destinatário e em referência
às experiências fundamentais da vida.
-
Deve levar em conta o fato religioso numa determinada sociedade. (Diferente
para um ambiente marcado pela indiferença religiosa ou para um
contexto profundamente religioso).
-
A relação "fé-ciência" deve ser tratada
com muito cuidado.
-
Outro fator importante é a situação econômica,
política, familiar. Inspirando-se na doutrina social da Igreja,
o catecismo deve oferecer critérios, motivações e
linhas de ação.
-
A situação concreta que a Igreja particular vive é
o contexto obrigatório ao qual o catecismo deve referir-se.
A
criatividade das Igrejas locais em relação à elaboração
dos catecismos
134-135.
Os catecismos podem ter caráter diocesano, regional ou nacional.
Pode
haver diversas articulações, não sendo as do CaIC.
Assim, pode haver uma configuração trinitária, as
etapas da salvação, um tema (Aliança, Reino de Deus...)
ou o Ano Litúrgico, etc.
Deve-se
usar a linguagem compreendida pelos destinatários.
136.
O CaIC e os catecismos locais, por sua profunda unidade e rica diversidade,
são chamados a ser o fermento renovador da catequese na Igreja.
Ao contemplá-los com olhar católico e universal, a Igreja,
isto é, toda a comunidade dos discípulos de Cristo, poderá
dizer verdadeiramente: "Este é a nossa fé, esta é
a fé da Igreja".
Terceira
Parte
A
Pedagogia da Fé
A
3a parte do Diretório dedicada à "Pedagogia da Fé"
tem como objetivo expor a pedagogia da fé, através do conjunto
de questões que dizem respeito:
-
a história da catequese quanto ao ato catequético;
- as suas fontes;
-
seus métodos;
-
seus destinatários e
-
ao processo de inculturação.
1o
Capítulo
A
pedagogia de Deus, fonte e modelo da pedagogia da fé
A
pedagogia de Deus
139.
A pedagogia de Deus educa para a vida. Deus corrige seus filhos como um
pai misericordioso, um mestre, um sábio, assumindo a pessoa, indivíduo
e comunidade na condição em que se encontra. Deus atrai
a si, com vínculos de amor, fazendo que a pessoa cresça
progressivamente até a maturidade de filho livre, fiel e obediente
à sua palavra. Como educador, Deus transforma os acontecimentos
da vida de seu povo em lições de sabedoria. Confia a este
povo a instrução e a catequese que são transmitidas
de geração em geração.
Dá
a todos o dom do Espírito Santo.
A
tarefa do catequista é fazer a pessoa se encontrar com Deus para
que ela se deixe guiar por Ele.
A
pedagogia de Cristo
140.
O Cristo veio em missão evangelizadora - dom da salvação,
missão de redentor. Sua pedagogia foi a de continuar a pedagogia
de Deus.
Os
discípulos fizeram a experiência direta das diretrizes fundamentais
da pedagogia de Jesus, como educador, Ele realiza:
-
o acolhimento do outro (principalmente pobres, crianças, pecadores);
- a anúncio da Boa Nova do Reino de Deus;
-
um estilo de amor delicado e forte, que promove a vida;
-
fez convite premente à uma conduta amparada na fé em Deus;
-
empregou todos os recursos da comunicação interpessoal:
a palavra, o silêncio, a metáfora, a imagem, o exemplo e
sinais, como os profetas.
Cristo
entrega a sua pedagogia de fé aos discípulos.
A
pedagogia da Igreja
141.
A Igreja como sacramento de Cristo, como mãe e educadora da
fé, viveu a pedagogia do Pai e do Filho.
Por
isso, podemos dizer que a comunidade cristã é uma catequese
viva.
A
Igreja anuncia, celebra e age, sempre permanecendo como lugar principal
e indispensável da catequese.
A
Igreja sempre produziu a pedagogia da fé pelo testemunho de
catequistas e de santos.
Teve
uma variedade de caminhos: formas de comunicação religiosa,
como catecumenato, catecismos, itinerários de vida cristã,
preciosos ensinamentos catequéticos (cultura da fé, instituições
e serviços da catequese). Tudo isto entra na história da
catequese.
A
pedagogia divina, ação do Espírito Santo em todo
cristão
142.
Na escola da Palavra de Deus acolhida na Igreja, pela ação
do Espírito Santo, o discípulo cresce "em sabedoria,
estatura e em graça..."(Lc 2,52).
É
ajudado a desenvolver a educação divina recebida na catequese
com os recursos da ciência e da experiência.
A
pedagogia de Deus é realizada quando o discípulo atinge
"o estado de Homem Perfeito, à medida da estatura de Cristo"
(Ef 4,13).
Pedagogia
divina e catequese
143.
A catequese é uma pedagogia:
-
inserida no diálogo da salvação entre Deus e a pessoa;
-
que respeita a liberdade;
-
que destaca a iniciativa divina e a motivação amorosa;
-
que aceita o princípio da progressividade da Revelação;
-
aceita os aspectos misteriosos de Deus;
-
reconhece a centralidade de Jesus determinando a pedagogia da encarnação;
-
faz próprio o processo de diálogo através das relações
inter-pessoais;
-
faz uma pedagogia de sinais, fatos e palavras, ensinamentos e experiências;
-
recebe a força de verdade e a motivação para dar
testemunho do amor de Deus.
A
catequese, como processo, segue Cristo, no Espírito, rumo ao Pai.
Pedagogia
original da fé
144.
Ao realizar as suas tarefas a catequese não pode:
-
deixar-se inspirar por considerações ideológicas;
-
deixar ser levada por interesses puramente humanos;
-
confundir o agir salvífico de Deus com o agir pedagógico
do homem;
Os
objetivos precisos que inspiram a catequese a fazer as suas escolhas metodológicas
são:
-
promover uma síntese coerente e progressiva entre a adesão
do homem a Deus e os conteúdos da mensagem cristã;
-
desenvolver todas as dimensões da fé conhecida, celebrada,
vivida e rezada;
-
impulsionar a pessoa para se entregar livre e totalmente a Deus (inteligência,
vontade e memória);
-
ajudar a pessoa humana a discernir a vocação a qual o Senhor
a chama.
Fidelidade
a Deus e fidelidade à pessoa
145.
A pedagogia da fé recebe de Jesus Cristo a lei da fidelidade a
Deus e ao Homem, numa atitude de amor.
Será
perfeita a catequese aquela que ajuda a perceber a ação
de Deus ao longo do caminho da formação, favorecendo
um clima de escuta, de ação de graças e de oração
e promovendo a participação ativa dos catequizandos.
A
"condescendência de Deus", escola para a pessoa
146.
Deus fala aos homens como amigos, por isso a sua pedagogia adapta-se à
condição humana.
A
catequese tem a tarefa per |