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Encerrando
as atividades do segundo dia do 12o Encontro Nacional de Presbíteros
(ENP), nesta quinta-feira, 14, a deputada Luíza Erundia falou
aos 450 padres fazendo uma análise da conjuntura política
e econômica do país. Na sua análise, a deputada
criticou o crescimento do país que avaliou como muito pequeno.
“Estamos estagnados. Países com menos recursos potenciais
que o Brasil estão à nossa frente. A média mundial
gira em torno de 4% enquanto o Brasil não consegue ultrapassar
os 3%”.
A
deputada afirmou que o Brasil se beneficiou muito do crescimento econômico
dos países ricos nos últimos cinco anos. “Na medida
em que países ricos crescem, o capital excedente aumenta e,
consequentemente, eles passam a ter mais possibilidade de investir
em países como o Brasil”, disse. Para Erundina, essa
é uma das razões pela qual é possível
afirmar que os indicadores macroeconômicos do Brasil “não
são frutos de um acerto do atual governo, mas de uma situação
econômica favorável na vida dos países desenvolvidos”.
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Segundo
a deputada, a crise da economia norte-americana é sinal de que
as coisas não vão bem. “A reação diante
desse quadro de crise, que beira à recessão, é o
fortalecimento da produção de tecnologia militar. A venda
de armas é uma das saídas que o governo norte-americano
procura utilizar. Contudo, para que armas sejam vendidas, é preciso
que haja guerras. E aí eles investem em guerras artificiais,”
explica. Na sua opinião, também o crescimento da China preocupa
os Estados Unidos. “Do ponto de vista da geografia política
o crescimento da China é bastante interessante. Desde a queda da
União Soviética o mundo convive apenas com um pólo.
Dentro desse contexto, a China pode se tornar um outro polo”.
Ao
se referir à América Latina, Erundina aponta a integração
regional (Cone Sul) como forma de fortalecer o poder dos países,
desde que não fique apenas no plano comercial, mas também
nível político, social e cultural. “Vemos muitos países
resgatando a soberania nacional, destruindo a idéia de um Estado
mínimo, presente em toda política neoliberal. O Brasil tem
que investir mais nessa integração regional. É por
isso que não perdôo o Lula por ter chamado Bush de companheiro”,
enfatizou a deputada.
Papel da Igreja
Ao ser perguntada sobre qual o papel da Igreja diante deste cenário,
Erundina respondeu que a Igreja deve continuar formando e organizando
o povo. “A motivação para minha ação
veio, em primeiro lugar da Igreja e do Evangelho vivo”, justificou.
Em
entrevista exclusiva à assessoria de imprensa do ENP, a deputada
que a diversidade de tantos padres lhe chamou a atenção
no Encontro dos Presbíteros. “Chamou minha atenção
a diversidade de origem, de idade, e experiência e de compreensão
das coisas. É um grupo muito rico e expressa a realidade da diversidade
da Igreja no Brasil”, considerou.
Também
o clima de informalidade do encontro foi destacado por Luíza Erundina.
“Tinha uma energia circulando entre vocês que denuncia a presença
de Deus entre vocês”. Para ela o encontro dos presbíteros
“é o encontro da Igreja antenada com o povo, com os seus
anseios e seus problemas”. Para ela, os padres devem continuar “ajudando
o povo a acordar para ler a realidade com sua cabeça, fazendo-o
a acreditar em si mesmo. Essa é a força que vai mudar o
país”.
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