| Bruxelas,
13 nov (RV) - A crise dos mercados financeiros esteve no centro
da palestra proferida pelo Presidente da Comissão dos episcopados
da Comunidade Européia, COMECE, dom Adrianus Van Luyn, ao abrir,
ontem à tarde, em Bruxelas, os trabalhos de outono dos bispos da
União Européia.
“Como
podemos recuperar a confiança nas bases do sistema econômico
e social, hoje tão gravemente abalado?” – questionou
o bispo de Rotterdam, destacando a necessidade de regras e lei melhores,
e mais competências em nível europeu e internacional, para
prevenir o ulterior ‘superaquecimento’ dos sistemas financeiros
em nível global.
Dom
Van Luys acenou para os temas da próxima reunião de Chefes
de Estado e de governo em preparação do próximo G20
em Nova York; os chamados ‘paraísos fiscais’, e a modernização
do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Mas o bispo
holandês foi mais além:
Convidou
os líderes europeus a colocar em discussão não apenas
o nosso atual modelo social. Para o presidente da COMECE, as causas mais
profundas da crise financeira residem em um sistema de valores distorcidos.
Em outras palavras, a crise financeira revelou uma crise espiritual e
uma hierarquia de valores desvirtuados, que ele explicou com uma metáfora:
“O dinheiro é a bússola, mas, quando chegamos ao Pólo
Norte, percebemos que a agulha continua a girar, sempre mais veloz”.
“Hoje
– prosseguiu – o sentido e o valor do trabalho do homem passaram
para o segundo plano, diante da busca geral pelo lucro; e as pessoas e
o planeta são vistos exclusivamente do ponto de vista funcional.
Não apenas as balanças comerciais estão no vermelho
– advertiu dom Van Luyn, acrescentando que enquanto o mundo está
envolvido em uma profunda crise econômica e social, o nosso equilíbrio
também está fugindo ao nosso controle”.
O
Presidente da Comissão dos episcopados da Comunidade Européia
concluiu que a crise financeira nos deve conduzir a uma reflexão:
“Por que hoje não existem mais pessoas que reconhecem na
mensagem cristã de compartilha recíproca e de estilo vida
sóbrio a chave do segredo para uma vida boa e realmente feliz”.
“O que podemos fazer para transmitir a nossa fé de modo mais
compreensível e vivê-la de modo mais crível?”.
Segundo
dom Van Luyin, esta é a questão que os bispos europeus devem
levar em consideração, nos próximos dias. (CM)
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