| Brasília,
22 agos (RV) - A CNBB, Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil fez ontem, quinta-feira, um apelo ao Supremo Tribunal Federal
(STF) para que confirme a homologação da terra indígena
Raposa Serra do Sol em Roraima, motivo de um violento conflito fundiário.
O tribunal deve decidir na próxima semana sobre um pedido de suspensão
do decreto de homologação da terra indígena, assinado
há três anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dom
Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB, alertou que uma decisão
contra a reserva pode afetar o direito constitucional dos indígenas
de viverem em suas terras ancestrais. “Seria um retrocesso enorme”,
disse ele em entrevista coletiva.
A
disputa se tornou violenta em abril, quando a polícia tentou retirar
plantadores de arroz de dentro da reserva, que fica no extremo norte do
país. Os agricultores resistiram bloqueando estradas, explodindo
pontes e contratando pistoleiros. Dez índios ficaram feridos num
confronto em maio, e um líder dos fazendeiros foi preso.
Dois
senadores de Roraima pediram ao Supremo Tribunal Federal que se manifeste
sobre a legalidade da terra indígena, alegando que ela fere os
interesses econômicos do Estado e do Brasil.
O
governo de Roraima diz que uma área de 1,7 milhão de hectares
é grande demais para ser ocupada por apenas 17 mil índios.
Os setores envolvidos com agricultura, mineração e madeira
vêem na terra indígena um obstáculo ao desenvolvimento
econômico.
Alguns
parlamentares sugeriram dividir a Raposa Serra do Sol entre etnias diferentes,
complexos turísticos e plantações de arroz. Dom Geraldo
se manifestou contrariamente: “que se mantenha essa terra indígena
de forma contínua”, disse. (SP) |