Cúria Arquidiocesana de Cascavel
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Carta Pastoral N° 04
Assunto: Eleições 2008
 

       
          Caríssimos irmãos e irmãs, em Cristo Jesus.

          A eleição deste ano reveste-se de importância fundamental, pois os eleitos serão dirigentes do município. E não se pode esquecer que é no município que se dá a efetiva participação do eleitor.
          É missão integrante da Igreja, conscientizar o povo, para que o mesmo tenha discernimento em sua escolha. E esta tarefa não se limita à época de eleições, mas faz parte de um trabalho contínuo. A Igreja não se identifica com um partido. Ela está acima de todos, para questionar a todos, em vista do BEM COMUM.
          O leigo cristão precisa participar dos partidos políticos. O partido político é um importante instrumento, para que o povo possa participar da vida de sua cidade, estado e país. Candidatar-se à cargos públicos, com a reta intenção de proporcionar o BEM ESTAR do povo é muito louvável à qualquer leigo cristão e pessoa de bem, que se sinta capacitada para a vida política e administrativa.
          A política partidária não é coisa suja, ocupação de pessoas desonestas. Pode, até, ser que esteja assim, mas é possível ser diferente. Não é porque alguns políticos são desonestos, que a política é coisa de desonestos. A política fica sendo coisa de gente desonesta, porque os bons cruzam os braços e não se comprometem.
          Os cristãos devem procurar o partido que, realmente, esteja preocupado, na prática, com a construção da democracia. Além da participação nos partidos políticos, temos a oportunidade de influenciar, para melhorar a política, escolhendo nossos representantes. A eleições são uma forma importante, de participação da população, na vida do país. É um momento privilegiado que temos, para dizer como devem ser as coisas.
          Por isso, não podemos nos omitir, deixando de votar ou votando em branco, ou ainda, anular propositalmente o voto. Pecamos por omissão e contribuímos para que as coisas continuem do jeito que estão. O voto é um instrumento muito importante, para que comecemos a mudar as coisas.
          Não basta, pois, ir votar ou votar em branco. É preciso votar bem. Para votar bem é necessário, entre outras coisas, observar o seguinte:

          1) NÃO VENDER OU TROCAR O VOTO POR PRESENTES, FAVORES, OU EMPREGOS:
          Porque quem procura comprar ou ganhar o seu voto, com presentes e promessas de favores e empregos, não merece o seu voto. Quando ele se elege, paga o seu voto e não vê mais razão nenhuma para trabalhar, visando o bem comum. E o que é pior: Irá aproveitar de seu mandato, para recuperar tudo o que gastou com doações, presentes e favores; ou então, irá defender os interesses de quem deu o dinheiro para esses presentes.

          2) NÃO SE DEXAR LEVAR PELA PROPAGANDA:
          Porque as eleições provocam uma enxurrada de propagandas. Normalmente quem tem mais dinheiro, ou está ligado a quem tem, faz mais propaganda. Junto com a propaganda são feitas muitas promessas. É importante não se iludir. Não se deixar levar pela propaganda que, normalmente, é mentirosa. Procure saber quem é o candidato pela sua prática; não pela propaganda, nem pelas promessas.

          3) VER SE O CANDIDATO JÁ FOI ELEITO ALGUMA VEZ:
          É preciso ver se ele, nesse cargo, trabalhou para o povo, principalmente, para os mais pobres. Trabalhar para o povo e com o povo, significa colaborar para mudar a situação de injustiça, na qual vivemos. Não se deve votar naquele que na precedente, ou presente legislatura, nada fez pelo povo. É peso morto. E morto deve ser enterrado.

          4) O CANDIDATO DEVE SER SERVIDOR DA COMUNIDADE:
          Servir a comunidade não é aparecer em época de eleição para dar presentes em troca de votos. Servir a comunidade, é coisa independente das eleições; é estar à disposição da mesma, colocando-se a serviço do Bem Comum.

          5) O CANDIDATO DEVE ENTENDER A VIDA DO POVO:
          O candidato deve saber quais os problemas e dificuldades que o povo vive. É necessário observar os debates entre os candidatos, para saber quem está mais informado sobre os problemas do município. Além da informação, é necessário saber se os projetos de solução são adequados ou não. Se tal projeto é viável e se vem, de fato resolver, ou ajudar a resolver a situação. Candidato que no horário eleitoral, só fica falando mal do outro e não apresenta a sua proposta de trabalho: O quê, como, com que vai fazer, está enganando os seus eleitores. Não tem proposta e, então, fica falando mal do outro.

          6) O CANDIDATO DEVE SER HONESTO:
          Quem não é honesto na vida e nos negócios, não merece o voto e a confiança de ninguém. De nada adianta falarmos, depois, que o político é desonesto. Somos nós que elegemos os políticos desonestos. Não existe Prefeito desonesto, sem Câmara de Vereadores desonesta. O Prefeito tem a "chave" do cofre e os Vereadores o "segredo".

          7) O CANDIDATO DEVE VISAR O BEM COMUM:
          O candidato deve estar convencido da importância do BEM COMUM. Só aquele que, de fato, busca o Bem Comum vai ao encontro dos mais pobres, sem explorá-los ou enganá-los.

          8) CONCLUSÃO:
          A Igreja quer o bem de todos. E a todos, ela orienta com princípios salutares. Aos eleitos, a Igreja saberá prestigiar, porque investidos de autoridade, vinda de Deus através do povo, numa legítima democracia.
          É preciso que o Município mostre ao Estado e a República, que o Brasil é viável e reconstruível, através da honestidade, do espírito de serviço, dos seus dirigentes, sobretudo, com a promoção das camadas mais desprotegidas.
Isto se fará, elegendo, dentro da comunidade em que vivemos e onde conhecemos melhor as pessoas, os mais dignos, os mais competentes e os mais disponíveis para o serviço do povo.
          Deus nos abençoe e ilumine, a fim de encontrarmos novos caminhos para o Brasil: Caminhos abertos por políticos que construam, em nosso município, a miniatura do País honesto e próspero, com o qual tanto sonhamos.
          "Voto não tem preço, tem consequência! Vamos acabar com a corrupção eleitoral. Agora temos a Lei 9.840. Participe desta luta!"

 

 
Cascavel, 10 de Junho de 2008.
 
 


 

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Dom Mauro Aparecido dos Santos
Arcebispo de Cascavel


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