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Carta Pastoral N° 02
Assunto: Pastoral do Dízimo
 
 


         Caríssimos irmãos e Irmãs:

         Falar do dízimo é correr o risco de ser “descartado” ou taxado de “dinheirista”. Muitos, por não serem dizimistas autênticos, sofrem na consciência esse pecado! Esta Carta Pastoral não tem objetivo para “machucar” a sua consciência ou de “acusá-lo”, mas simplesmente para esclarecê-lo à respeito do Dízimo, como também, mostrar-lhe a alegria de ser dizimista.

         Nós somos formados, no mundo de hoje, para sermos egoístas e ambiciosos. O “deus” é o dinheiro! Se tenho dinheiro tenho segurança! Se tenho dinheiro não preciso de ninguém, pois com o dinheiro consigo tudo!
         Nós devemos dar um basta em nosso egoísmo. Devemos testemunhar e crer que Deus é a nossa segurança e fortaleza! Para isso, precisamos dar o passo da partilha! Se hoje, tantos irmãos e irmãs estão passando fome, desempregados, sem moradia própria, sem assistência médica, etc... é falta do espírito de partilha! Sobra comida e dinheiro no mundo! Mas falta na mesa e no bolso de muitos irmãos e irmãs!

         Ao devolver com o Dízimo, eu começo a exercitar o espírito de partilha, dentro de mim! Eu vou me libertando da escravidão do egoísmo e da ganância. Pois, Deus não precisa do meu dinheiro! Deus, ao instituir o Dízimo, Ele mostra o caminho do desapego dos bens materiais e torna-se o meu Senhor e o meu Deus!
         Dízimo é a devolução a Deus da parte que lhe cabe! Quem fica com a parte de Deus, demonstra desonestidade no relacionamento com Deus! Muitos não são dizimistas porque estão endividados. Para evitar o nome “sujo” na praça, não devolvem o Dízimo, achando que Deus não lhe protestará ou não levará o seu nome no “SEPROC”! Muitos católicos dizem: “eu não devo pra ninguém”! Mas nem dizimistas são! São fiéis aos homens, porém, não são fiéis a Deus. Que vergonha!

         Muitos perguntam: Cinqüenta reais, por mês, está bom? Eu não posso e ninguém poderá responder esta pergunta, mas somente você e Deus! Porque o Dízimo é proposta do coração, feito de acordo com as minhas possibilidades e fé! O valor sou eu que decido. Ninguém pode tomar essa decisão por mim!

         Para ser dizimista, precisa ser católico praticante e comprometido com a Paróquia! Precisa ter fé, senão o Dízimo não tem sentido, seria apenas dinheiro ou “desencargo de consciência”, e Deus não está interessado no dinheiro de ninguém.

         Como Arcebispo, fico muito triste, quando fico sabendo que membros do Conselho Pastoral Paroquial não são dizimistas, ou Ministros Extraordinários da Santa Comunhão Eucarística, ou coordenadores de pastorais ou de movimentos não devolvem o Dízimo! Já pensou se o padre de sua Paróquia não for dizimista?

         Dizimo é um compromisso que assumo com Deus, através da Paróquia onde participo. É uma parte daquilo que ganho, que devolvo mensalmente na Paróquia.

         O Dizimo consciente e responsável é a única solução para uma verdadeira vida de Igreja. Implantado para atender as necessidades do culto, dos pobres e do anúncio evangélico, fará emergir uma nova consciência de ser Igreja, que naturalmente dará respostas a todos os projetos e necessidades da vida paroquial.

         A qualidade do Dízimo verifica-se através do sentimento de gratidão que nos motiva a devolvê-lo a Deus. Quem tem mais, devolve mais, quem tem menos, devolve menos, no entanto, ambos estarão devolvendo na mesma medida, a medida de um coração agradecido a Deus.

         Queridos irmãos e irmãs sejam todos dizimistas autênticos, com certeza, Deus retribuirá em muitas graças e bênçãos para todos vocês. Façam a experiência!




 
Cascavel, 01 de maio de 2008.
 
 


 

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Dom Mauro Aparecido dos Santos
Arcebispo de Cascavel


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