“Que
todos sejam um como tu, ó Pai, estás em mim e eu em
ti, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21)
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O
chamado tão conhecido “Segue-me”(Mt 9,9) que Jesus
Cristo faz ao publicano Mateus é simples porém não
é de modo algum pouco desafiador. Deixar tudo para assumir uma
perspectiva nova de ver a realidade, as pessoas e a própria história
exige, daquele que se propõe seguir o Cristo, uma atitude de olhar
à frente e não voltar atrás.
Esse chamado ao seguimento
do Cristo é comum a todos os batizados. Somos todos, sem distinção,
discípulos de um único e mesmo Mestre; convocados a trabalhar
na messe, a anunciar oportuna e inoportunamente.
A trajetória histórica
que buscou articular a pastoral da Igreja no Brasil:
1. 1. 1962 – CNBB:
1° Plano de Pastoral, denominado Plano de Emergência.
2. 2. 1965 a 1970 –
CNBB: 2° Plano de Pastoral, denominado Plano de Pastoral de Conjunto.
Finalidade: Adequar as
decisões do Vaticano II à realidade brasileira. Foi do Concílio
que surgiu as 6 dimensões(linhas) de ação pastoral:
1. Unidade na Igreja (LG)
2. Catequese (DV)
3. Liturgia (SC)
4. Ecumenismo(UR)
5. 5. Missão e
Diálogo Religioso (AG e NA)
6. 6. Presença
do Mundo (GS)
3. 3. Em 1971 a CNBB fez
uma avaliação desses dois planos e constatou que a realidade
brasileira era bastante complexa e com muitas diferenças regionais
e eclesiais. Devido a isso, decidiu não mais fazer “Planos”.
Cada diocese começou a fazer o seu. A CNBB começou a elaborar
apenas um “marco teórico”, que fosse referência
para a elaboração dos planos locais. Tal “marco teórico”
foi denominado de “Diretrizes Pastorais”.
4. 4. As Diretrizes Pastorais
são elaboradas a cada quatro anos. É definido o “Objetivo
Geral” da ação pastoral, e são feitos alguns
destaques pastorais.
Na 46° Assembléia
Geral da CNBB que realizar-se-á no próximo mês de
abril em Indaiatuba/SP, nós bispos, iremos elaborar as “Novas
Diretrizes”,iluminada certamente pelo documento de Aparecida, para
a Igreja no Brasil.
O Objetivo de nossa pastoral
é formar o povo de Deus. É agrupar os remidos na comunidade
de salvação. É levar os batizados a viver sua inserção
no Corpo Místico. É fazer de cada cristão um prolongamento
do Verbo feito carne, no testemunho da Boa Nova e na participação
da vida.
O Ato fundamental de nossa
pastoral é, portanto, a pregação da Mensagem. Ide
e Pregai - foi o mandato de Cristo. Eu fui enviado para evangelizar –
repete São Paulo. Nós nos dedicaremos à oração
e ao ministério da palavra – acentuam os apóstolos,
deixando aos diáconos os cuidados temporais da comunidade cristã.
Esta foi sempre a consciência viva da Igreja e sua norma de ação.
E continua sendo sua linha constante e preocupação perene.
Nem sempre, porém,
assim agem na prática os homens da Igreja, que somos nós.
Sorrateira e insensivelmente entram às vezes outros ângulos
de visão pastoral e outras perspectivas de atuação
apostólica, invertendo a escala de valores e alterando a ordem
das metas.
Pastoral da pedra
e do tijolo. Muito comum em nossos dias. Tônica dominante
de muitas vidas apostólicas. Tão generalizada, a ponto de
constituir critério importante e quase predominante de distinção
e merecimento. Mede-se, com freqüência, a eficácia da
ação pastoral pelo tamanho do templo, pela altura da torre
ou alinhamento dos Salões Paroquiais. Se as construções
materiais são necessárias e indispensáveis, parece
não justificar-se, principalmente neste momento histórico,
tal preocupação prioritária. Precisamos construir
a Igreja viva. Mais do que obras pomposas, com placas de vaidade, a atuação
do fermento que revoluciona e transforma. Em primeiro lugar, a comunidade
viva dos filhos de Deus, e depois, como conseqüência, sua casa
de oração e de culto.
Se uma parte apenas do
vultuoso numerário que gastamos em construções materiais,
muitas vezes adiáveis, fosse empregado na formação
de militantes e líderes, que é urgente e inadiável,
outra seria hoje nossa situação. E não se venha com
a alegação ingênua e capciosa e superada de que o
Cristo de nossos templos merece o que há de melhor. Sim, é
uma verdade inconteste e testemunhada pelo próprio Cristo na cena
do alabastro. Mas não é toda a verdade. Porque o Cristo
do próximo é o mesmo que o da Eucaristia, embora em aparência
diversa. E deixar o Cristo no próximo, que sofre fome e enfermidade,
para ornamentar templos, que muitas vezes são mais ostentação
de vaidade do que amor a Cristo, não parece muito evangélico,
nem de acordo com a voz dos tempos. Aproveitemos a FAMIPAR e formemos
as nossas lideranças leigas para serem sal, fermento e luz do mundo.
Pastoral do alimento
e do agasalho. A Igreja sempre foi pioneira em realização
de caridade e assistência social. Graças
a Deus, a maior parte das obras sociais são de sua iniciativa ou
inspiração. E isto constitui apologética viva e testemunha
perene de vitalidade cristã. Mas não é esta a missão
específica da Igreja. Nem deve ser a preocupação
característica do presbítero. Seu papel será antes
formar e assessorar os leigos, que assumam esta responsabilidade e tarefa.
Tarefa que deve ser um amplo e sistemático esforço de promoção
humana, visando não apenas a ajudar necessitados, mas atingir e
sanar a fonte dos desajustes sociais. E não de forma paternalista
como é tendência da mentalidade burguesa e de certa mentalidade
clerical de arrumar “dinheiro de fora” e o seu sucessor “que
se dane”! Não
está na linha normal da autêntica pastoral evangélica
absorver-se o presbítero em obras de assistência e caridade.
Mas em formar o povo cristão, de tal maneira que de sua comunidade
brotem naturalmente obras e instituições de auxílio
fraterno. Em nossa Arquidiocese existem muitas entidades individuais ligadas
à Igreja. Precisamos, com paciência, estudarmos a possibilidade
de todas elas estarem inseridas na Cáritas Arquidiocesana permanecendo
com o mesmo nome de fantasia.
Pastoral da rotina
sacramental. Os sacramentos são fontes de vida e canais
da graça. E aqui vai aspecto essencial de nossa missão sacerdotal.
Infelizmente, porém,
acontece que nós continuamos administrando a um povo ignorante
e paganizado, com muitas exceções, graças a Deus.
Executamos ritos que não são entendidos, e muito menos assimilados
e vividos. Estamos mecanizando os sinais da graça. Mais eficaz,
por exemplo, do que passar dias e semanas distribuindo maquinalmente absolvições
a um povo impreparado, parece-nos que seria promover uma boa e sólida
evangelização, de maneira a levar um encontro vital com
Cristo, mediante um sincero arrependimento, espiritualmente mais eficaz
do que a mera recepção rotineira e mecânica de um
sinal da graça.
Há um equívoco
e ilusão de nossa parte pensarmos que estamos ministrando sacramentos
a um povo cristão, quando este na verdade vive na ignorância
e à superfície ou à margem do evangelho. Administração
de sacramentos supõe evangelização. Evangelização
sistemática e adequada à fisionomia do tempo, que seja uma
autêntica apresentação do Cristo vivo na Igreja.
A confissão comunitária
não é permitida na Arquidiocese, considera-se inválida
e o presbítero que administrá-la será responsabilizado
na forma da lei canônica.
Pastoral de preservação
e defesa. Foi em grande parte o que fizemos até hoje na
formação dos nossos cristãos. Limitamo-nos
a preservá-los do mal, o que aliás não conseguimos.
Orientamo-los para as atitudes estreitas e negativas de não –
contaminação. Não lhes temos dado a mística
missionária nem os lançamos à conquista de outros.
E por isso, tão pouco, conseguimos.
Hoje que o mal entra de
todos os lados e por todo os cantos, através das técnicas
as mais variadas, envolventes e sutis, não basta ao cristão
uma atitude de defesa. Guerra defensiva só pode levar a derrota.
Não se pode nem se deve isolá-lo para impedir que a influência
do mal o atinja.
É mister, sim,
à semelhança da terapêutica moderna vaciná-lo
contra o contágio do mal, tonificando-o por dentro. É preciso
dar-lhe a mística da conquista, do testemunho vivo de uma presença
ativa e irradiante. É preciso responsabilizá-lo e entusiasmá-lo
pela mensagem, da qual não é dono e possuidor pacífico,
mas depositário e mensageiro. Depositário angustiado e mensageiro
dinâmico da Boa Nova da salvação. Porque o cristianismo
mais do que uma organização mundial deve ser uma perene
revolução espiritual. Pode-se dizer que é por falta
de mensagem positiva, bem pregada e melhor vivida, que conquistamos tão
poucos cristãos, e que perdemos tantos outros. O católico
tem que pensar, falar e agir como católico!
Pastoral burguesa
de espera. Passou-se o tempo da pastoral de cristandade, em que
os fiéis nos venham procurar. Hoje, impõe-se uma linha de
procura e busca, de penetração nos ambientes, de infiltração
nos diversos meios. É mister limitar as horas de expediente burocrático
– que é necessário – para ampliar o tempo dedicado
à busca missionária.
Pastoral de busca e procura
é mais difícil e trabalhosa e cansativa do que a de espera.
Mas foi a ensinada e praticada por Cristo e pelos apóstolos. Cristo
não esperou no templo nem apenas nas sinagogas para falar ao povo.
Ele foi à procura dia e noite. Ora com a samaritana à beira
do poço, ora com Nicodemos no silêncio e na calada da noite,
ora com as multidões à beira do lago ou na quietude do deserto.
E os apóstolos
não esperaram que os convertidos caíssem pelos telhados
do cenáculo.
Pastoral de guetos
e ligas esclerosadas. Nossas associações clássicas
prestaram ótimos serviços no passado, em todos os campos
do apostolado. E algumas delas continuam a servir à Igreja com
muito zelo, dedicação e eficiência apostólica.
E quem isso negasse, faltaria à verdade e pecaria contra a caridade.
Parece, porém,
que muitas vezes há demasiada perda de tempo com associações
inoperantes, cuja atividade se limita mais ou menos a fazer reuniões
e a lavrar atas, para serem depois lidas e aprovadas na próxima
sessão. Se tais associações não for possível
vitalizá-las e lançá-las `a conquista, seria melhor
desinteressar-se delas, para criar outras mais de acordo com a dinâmica
dos tempos.
Querer conservá-las
apesar disso, só por amor à tradição seria
cultuar tabus, desservir à Igreja e trair Cristo. Associações
que só sirvam para tirar o tempo do sacerdote, perderam sua razão
de ser. Porque o problema não é de como poderemos salvar
nossas associações, mas como, com elas ou sem elas, melhor
servir à Igreja.
Pastoral do arranjo
e do jeitinho. Uma das primeiras expressões que o estrangeiro
aprende a dizer e a praticar no Brasil é a de “dar um jeito”.E
com isso, ele se introduz em todos os métodos de arranjos e acomodações,
escamoteamentos e burlas em relação à verdade, à
justiça e ao direito. Infelizmente, há entre nós
um jeito de torcer qualquer princípio e tapear qualquer lei ou
regulamentação.
Mas o pior é que
esta mentalidade de arranjos e acomodações, consciente ou
inadvertidamente, vai atingindo até presbíteros. Alegando
finalidades boas e apostólicas, empregam-se às vezes linguagem
e expedientes que não condizem com o sim e o não do Evangelho.
Pretextando que o costume consagra lei, até no apostolado vão
se dando a certos arranjos duvidosos os fôros de mediação
legítima e autêntica. Se por jeitinho se entender compreensão
e adaptação às pessoas e aos tempos, suavidade e
delicadeza no modo; inteligência e inventiva na escolha e adequação
dos meios ao fim, todos estamos de acordo. Se porém, se quiser
com isso consagrar o principio de que é lícito fazer o que
todo mundo faz, então nossa resposta será o não formal
e categórico do Evangelho. Do contrário, que força
teria nossa pregação evangélica? Que autoridade nossa
denúncia a condenação dos abusos e infrações,
que estão tragicamente corroendo o cerne da sociedade?
A palavra que a Igreja
anuncia não é a conclusão de um puro raciocínio,
nem a verbalização de uma simples experiência. Ela
não está para somar a palavra dos homens: sua verdade não
é soma de opiniões e não é resultado matemático
dado pela maioria. Mesmo que ela fique sozinha com a palavra recebida,
ela deve anunciá-la, como palavra última e definitiva, uma
palavra diante da qual os homens devem tomar decisão salvífica:
“Pois não há, debaixo do céu, outro nome dado
aos homens pelo qual devemos ser salvos” (At 4,12).
Pastoral do silêncio
e do calculismo. É a atitude dos que curvam a espinha
dorsal diante dos grandes e poderosos. Em simbiose permanente com os representantes
dos poderes constituídos. Apoiando sistematicamente, com a palavra
ou com o silêncio, suas atitudes, mesmo quando fora da órbita
de suas legítimas funções. Para não criar
casos ou não perder favores e subvenções, deixando
de apontar ou condenar violações da justiça e do
direito. Assistindo em silêncio à opressão dos pobres
e humildes, à perseguição e arbitrariedades, à
corrupção administrativa, ao esbanjamento dos dinheiros
públicos e à incúria em tratar dos interesses do
Bem Comum.
Nossa atitude deve ser
de respeito aos poderes constituídos. De apoio às justas
medidas governamentais. De colaboração com todas as iniciativas
em favor do Bem Comum. Colaboração de dois poderes independentes,
que se completam na visão integral do homem. Nunca, porém,
numa linha de apoio incondicional. Nunca com sacrifício da verdade
e da justiça. Nunca com o silêncio em face flagrante violação
da lei de Deus e das justas leis humanas. Nunca com a hipertrofia do poder
civil e a subserviência do religioso.
Não há coisa
mais preciosa, da qual nunca se pode abdicar a não ser pela violência,
do que a independência apostólica de dizer a verdade, tanto
aos humildes quanto aos poderosos, embora sempre com caridade. Esta é
a atitude eminentemente evangélica, testemunhada com vigor em toda
a história da Igreja.
Pastoral da colcha
de retalhos. O cristianismo não é apenas conjunto
de práticas. Nem mero sistema doutrinário ou filosófico.
Ele é um fato histórico: o Verbo feito carne. O Verbo que
assume a humanidade e a redime, tornando-a seu Corpo.
Daí ser a vida
cristã uma união vital e orgânica com Cristo. Uma
adesão consciente e pessoal a Cristo. Um compromisso de amor com
Ele. O cristão, um homem novo com uma vida nova. Que forma Cristo,
não apenas como objeto, mas como ponto de partida, norma de pensamento
e medida de tudo. Um homem convertido no rigor do termo, metamorfoseado
e radicalmente transformado em sua maneira de pensar e agir. Um homem
assumindo o risco de uma aventura e não apenas uma busca de um
refúgio ou salvação confortável. Um homem
que livremente tome a partilha de uma Cruz. Abraça um paradoxo.
Aceita um mistério: o mistério de Cristo e da Igreja. Melhor,
o mistério do Cristo vivo na Igreja, sem as dissociações
racionais dos esquemas teológicos.
Muitas vezes pregamos
uma religião estreita, medíocre e mesquinha. Um código
de preceitos negativos, de restrições, proibições
e anátemas. Uma doutrina sem originalidade ou organicidade, nem
síntese. Um conjunto de práticas sem motivação
nem nexo íntimo e vital.
É preciso voltar
ao Evangelho vivo. À pregação querigmática
de São Paulo e dos primeiros cristãos. À catequese
de profundidade e interiorização, onde a teologia se torne
mística operante, a moral espiritualidade dinamizadora e os sacramentos
mistérios profundos inseridos na vida.
Pastoral do monopólio
clerical. Herança de um passado longínquo, em que
a cultura e toda fisionomia da sociedade tinha um caráter sacral
de integração em torno de valores espirituais. Em que a
Igreja dominava as estruturas e instituições temporais,
no vértice de cuja pirâmide estavam sempre os valores religiosos
e morais. Quando o Papa traçava as fronteiras das nações,
dirimia conflitos, coroava e depunha reis e imperadores. Quando os Bispos
eram também príncipes seculares e os Párocos praticamente
chefes de comunas. Quando a palavra do Padre era um dogma e uma lei em
todos os aspectos da vida humana, do recreativo ao espiritual.
Sem entrar na apreciação
e avaliação de tal mentalidade e estruturação
social, o fato indiscutível é que hoje estamos vivendo uma
cultura profana, secular, pluralista e não integrada em valores
mais altos, em que a religião esteja no vértice ou centro,
mas simplesmente paralela às demais instituições
que polarizam os interesses do homem. E nesta ordem social, a Igreja não
poderá e nem deverá dominar as estruturas e instituições
temporais, mas informar, mentalizar e vivificar.
E esta influência
nas estruturas deverá ser feita através dos leigos, com
os quais o sacerdote deverá dividir as responsabilidades da comunidade
cristã. Deverá, portanto, ser proscrito e excluído
o monopólio clerical dos que, tratando os leigos como meninos de
recados, tudo pretendem fazer sozinhos. Eliminada a desconfiança
dos que não admitem iniciativas que partam do laicato. Superada
a auto-suficiência dos caciques clericais, que não concebem
sugestões e planificações que não tragam a
chancela de sua inspiração e direção pessoal
e imediata.
Evidentemente, para isso,
os nossos leigos devem ser formados. Formados, e não improvisadamente
mandados como crianças ou menores sem compreensão nem responsabilidade.
Formados na base de uma vida cristã de sabor e substância
evangélica. Formados numa adesão vital a Cristo e não
apenas numa simpatia pessoal pelo padre. Só com leigos que descobriram
Cristo e com Ele assumiram compromisso de amor, poderemos realizar um
trabalho de evangelização e conversão, que só
pode ser feito em comunidade e pela comunidade.
Com o Concílio
Vaticano II, veio a compreensão do Batismo como uma grande fonte
de ministérios e de que os leigos são chamados a desempenhar
diversos serviços na comunidade, não somente como suplentes.
Não se escolhe líder para enfeitar a Pastoral, mas para
os serviços existentes, A formação é uma exigência
da Igreja, pois precisamos de lideranças leigas formadas com o
pensamento teológico, pastoral, litúrgico, bíblico,
catequético, enfim, que abranja o grande conjunto de áreas
que são necessárias para qualificar a presença e
a atuação da Igreja no mundo de hoje. Também a formação
para uma inserção social política e econômica
das nossas lideranças leigas, calcadas no Ensino da Doutrina Social
da Igreja.
As lideranças leigas
são de enorme importância dentro da Igreja porque todos os
leigos participam, a partir do Batismo, do sacerdócio comum. O
Espírito Santo espalha, sem cessar, sobre os discípulos
de Jesus, os mais diferentes carismas com os quais a Igreja é ornada.
Não é possível imaginar a Igreja sem os inúmeros
serviços exigidos pelas lideranças leigas.
O ministério hierárquico
na Igreja (o do presbítero, do bispo, e do diácono), não
é que seja melhor aos olhos de Deus, em relação aos
ministérios leigos, mas são distintos, não se confundem.
E como o ministério hierárquico tem a missão de conduzir,
de congregar na unidade todos os demais membros e ministérios da
Igreja, os ministérios dos leigos estão a ela subordinados
e devem ser exercidos na comunhão e obediência para que,
aparecendo assim a distinção entre os ministérios
ordenados e não ordenados, seja manifestada a natureza ministerial
de toda a Igreja. Precisamos manter sempre a distinção dos
diferentes ministérios para podermos ver a beleza e a riqueza da
organização e atuação que o Senhor quis para
a sua Igreja. A não clareza da distinção entre as
funções na comunidade eclesial pode trazer muitos transtornos
e sofrimentos para a própria Igreja.
Cabe ao arcebispo, presbítero
e ao diácono a missão de servir, animando e sustentando
os leigos em sua missão, distribuindo para eles a riqueza da Palavra
e a graça dos sacramentos. Aos leigos cabe, sobretudo, exercerem
a presença santificadora de Jesus em meio às realidades
mais diversas deste mundo, sempre em comunhão com o Pároco
e o Arcebispo.
Aproveitemos os cursos
que a Faculdade Missioneira do Paraná – FAMIPAR – promove
para a formação dos nossos queridos leigos e leigas.
Pastoral da apologética
e da polêmica. Não é nosso intuito condenar,
desprezar ou minimizar a apologética, tão antiga quanto
a Igreja, em vigor desde os primórdios da evangelização.
É a justificação da legitimidade do cristianismo,
bem como a refutação das objeções e acusações
contra Cristo e sua Igreja. É um trabalho da razão, mostrando
que a atitude da fé é razoável e que a posição
da descrença é insustentável. É uma espécie
de salvo-conduto para que a fé, dom de Deus, seja um obséquio
racional. Mas não é prova de fé capaz de convencer
os incrédulos. Daí o erro de querermos, com meras razões
apologéticas, convencer os que não tem fé. O resultado,
ao contrário, seria talvez confirmá-los no erro. Porque
a aceitação das verdades da fé não se baseia
apenas em argumentos da razão, que constituem mera condição.
O essencial da apresentação
do cristianismo não é mostrar que ele é racional,
útil ou necessário, ou que ele constitui instrumento da
ordem estabelecida, mas a glória do Pai pelo Verbo feito carne.
Evangelizar é apresentar a Boa Nova, encarnada no Cristo vivo na
Igreja, que é seu Corpo, do qual todos somos vivos.
Pastoral do número
e da massa. A preocupação de muitos é ver
as Igrejas cheias, comunhões numerosas, filas sem fim de penitentes
e procissões intermináveis. E, diante disso, ficam tranqüilos,
pensando que tudo vai “de vento em pôpa”. Não
se lembram de que, apesar de numerosas comunhões, na hora da crise
poderão encontrar-se sós. Não se lembram de que meras
questões políticas poderão dividir, inimizar e afastar
da Igreja, para fazer frente comum com os seus adversários e inimigos.
O problema fundamental
da hora presente, que ainda não compreendemos, é a descoberta
e formação de líderes, para com eles fermentar e
conduzir a massa. Sem líderes do meio, formados na ação,
ninguém poderá contar com a massa. E a experiência
aí está, patente e cristalina, de associações
de classe, Câmara de Vereadores, Congresso Nacional, Governo Federal,
Governo Estadual e Governo Municipal, compostos de católicos, que
servem de instrumentos e inocentes úteis da causa do marxismo e
do neoliberalismo.
É o que ainda não
compreendemos. E por isso, nossa situação é a de
uma maioria que não atua. De uma maioria que vai a cabresto ou
a reboque de um grupo de aventureiros e piratas, por ela levados aos postos
de comando, que foram transformados em clubes de orgias (carnaval, futebol,
novela, pão e circo).
Pastoral de guerrilhas
e heroísmo individuais. Se até certo ponto são
promissores de ensaios de pastoral de conjunto, que temidamente se estão
esboçando em diversos pontos do território nacional, do
outro lado é profundamente doloroso e contristador e angustiante
ver ainda tanto trabalho feito mais ou menos ao acaso, à inspiração
do momento ou por iniciativa de indivíduos ou grupos desentrosados
e descoordenados. Numa época marcada profundamente pelo social
e por uma tendência inesistivelmente comunitária, diante
de problemas de dimensões globalizadas, nós nos apresentamos
em geral com soluções improvisadas e palpites pessoais,
com movimentos estreitos e dimensionados por indivíduos ou famílias
religiosas, multiplicando assim iniciativas, sem qualquer visão
de conjunto, sem linhas de coordenação e intercâmbio,
numa pluralidade isolacionista, e, portanto, muitas vezes nociva aos interesses
da comunidade cristã.
As guerrilhas e heroísmos
individuais – que melhor se chamariam de egoísmos individuais
– poderão resolver alguma batalha, nunca, porém, decidirão
uma guerra. E a nossa situação presente é de guerra
total, onde falta de planejamento constitui candidatura certa ao fracasso
e portanto, traição a Cristo e à Igreja. Até
quando esta traição continuará impune no cristianismo,
ou melhor, no seio da Igreja?
Concluindo: “a maioria
dos católicos não só não conhecem o Evangelho,
mas não sabem que o ignoram”. Nossa Missão é
Evangelizar. Evangelizar, porque vivemos num clima generalizado de neopaganismo,
precisamente nos países assim chamados católicos. Paganismo
aberto ou disfarçado na prática da vida. E também
na linha do pensamento e da fé, pois é palmar o desconhecimento
das verdades básicas e fundamentais.
Saiamos do equívoco
e ilusão e passemos a ver a realidade, a qual continuaremos a ministrar
sacramentos sem reflexos na vida e sem irradiação nas estruturas.
Sem a qual estaremos assistindo a debandada dos católicos.
Evangelizar é apresentar
Cristo vivo na Igreja, é irradiar com ardor as riquezas da Boa
Nova. É dinamizar, não apenas uma doutrina ou um código,
mas o apelo e a sedução de uma Pessoa. É dar testemunho
vivo, sempre inseparável da palavra evangelizadora. Testemunho
que é a afirmação de uma realidade em nome de uma
experiência da realidade esplendorosa do cristianismo.
Nossa pastoral é
a pastoral da evangelização, a cuja finalidade devemos condicionar
todos os meios, sem inversões pragmatistas nem prioridades imediatistas.
Sem fazer dos meios fins, nem jamais perder de vista os objetivos.
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Cascavel,
24 de fevereiro de 2008. |
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Dom Mauro Aparecido dos Santos
Arcebispo de Cascavel
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