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Rádio
Vaticano
Diante da "crescente tensão" que se regista na situação
internacional, com uma "progressiva diminuição do clima
de confiança e de colaboração entre as nações",
Bento XVI pede que, sem ceder ao pessimismo, se aprofunde "a consciência
de estar irmanados num destino comum" e se rejeite a violência,
reconhecendo antes "a força moral do direito". Foram
as palavras pronunciadas depois da recitação do Ângelus
dominical, ao meio-dia de hoje, 24, em Castelgandolfo.
O
Santo Padre exprimiu sua preocupação pela crise nas relações
internacionais, apontando alguns pontos e, pedindo orações
por esta intenção. O Papa pediu que "se esconjure o
regresso a contraposições nacionalistas que em outras épocas
históricas produziram consequências tão trágicas",
e que se ponha de lado "a tentação de enfrentar situações
novas com velhos sistemas".
Em
sua mensagem, antes das Ave-Marias, Bento XVI recordou o Evangelho deste
domingo, em que Jesus pergunta aos seus discípulos quem dizem as
pessoas que ele é, e – depois – o que é que
eles próprios dizem a esse respeito. "Em nome de todos, impetuosa
e decididamente, Pedro toma a palavra para dizer: 'Tu és o Cristo,
o Filho do Deus vivo'".
Igreja
deve tornar presente, no mundo, a Paz de Deus
"Solene
profissão de fé que desde então a Igreja continua
a repetir. Também nós hoje queremos proclamar com íntima
convicção: 'Sim, Jesus, Tu és o Cristo, o Filho do
Deus vivo!' Façamo-lo com a consciência de que é Cristo
o verdadeiro tesouro pelo qual vale a pena sacrificar tudo: é Ele
o amigo que nunca nos abandona, porque conhece as mais íntimas
expectativas do nosso coração. Jesus é o Filho do
Deus vivo, o Messias prometido, que veio à terra para oferecer
à humanidade a salvação e para satisfazer a sede
de vida e de amor. Como seria vantajoso para a humanidade acolher este
anúncio que traz consigo a alegria e a paz!"
O
Papa comentou também as conhecidas palavras de Jesus, em resposta
à profissão de fé do primeiro dos apóstolos:
"Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas dos infernos não prevalecerão contra ela. A
ti darei as chaves do reino dos céus". "É a primeira
vez que Jesus fala da Igreja, cuja missão corresponde ao grandioso
projeto de Deus de reunir em Cristo, numa só família, toda
a humanidade".
"A
missão de Pedro, e dos seus sucessores, é precisamente servir
esta unidade da única Igreja de Deus formada por judeus e pagãos;
o seu indispensável ministério é fazer com que a
Igreja nunca se identifique com uma só nação, uma
só cultura, mas que seja a Igreja de todos os povos, para tornar
presente entre os homens, marcados por múltiplas divisões
e contrastes, a paz de Deus, a unidade de todos os que em Cristo se tornaram
irmãs e irmãs: esta é a missão particular
do Papa, bispo de Roma e sucessor de Pedro".
"Perante
a enorme responsabilidade desta tarefa", advertindo "o empenho
e importância do serviço à Igreja e ao mundo"
que lhe foi confiado, o Papa pede aos fiéis que o apoiem com a
oração.
Tensão
internacional
Foi
depois da recitação do Angelus, que o Papa evocou o crescendo
de tensão na situação internacional: "Temos
que constatar amargamente o risco de uma deterioração progressiva
daquele clima de confiança e de colaboração entre
as Nações que deveriam precisamente caracterizar as suas
relações".
Adverte-se
bem a grande fadiga que a humanidade revela em "formar aquela consciência
comum de ser família das Nações" (na expressão
de João Paulo II, dirigindo-se à Assembléia Geral
da ONU).
"Há
que aprofundar a consciência de estarmos irmanados num mesmo destino
– que em última análise é um destino transcendente
– para esconjurar o regresso a contraposições nacionalistas
que em outras épocas históricas produziram consequências
tão trágicas".
Bento
XVI observou que “os recentes acontecimentos enfraqueceram em muitos
a confiança em que tais experiências ficassem definitivamente
relegadas no passado". Em todo o caso, logo acrescentou: "É
preciso não ceder ao pessimismo!"
"É
preciso antes empenhar-se ativamente para que se rejeite a tentação
de enfrentar situações novas com velhos sistemas. Há
que repudiar a violência! A força moral do direito, negociações
équas e transparentes para dirimir as controvérsias, a partir
daquelas ligadas à relação entre integridade territorial
e autodeterminação dos povos, fidelidade à palavra
dada, busca do bem comum: 'eis alguns dos caminhos a percorrer, com tenacidade
e criatividade, para construir relações fecundas e sinceras
e para assegurar às gerações presentes e futuras
tempos de concórdia e de progresso moral e civil!'"
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