27/08/2008


AUDIÊNCIA GERAL: PAPA CONDENA VIOLÊNCIAS CONTRA CRISTÃOS NA ÍNDIA E FALA SOBRE SÃO PAULO

Cidade do Vaticano, 27 ago (RV) - Bento XVI deixou na manhã de hoje a residência Apostólica de Castel Gandolfo para retornar ao Vaticano para o encontro com os fiéis na tradicional audiência geral na Sala Paulo VI. Depois de um período de descanso na diocese de Bolzano-Bressanone, nordeste da Itália, o pontífice realizou duas audiências gerais, nos dias 13 e 20 do corrente, na Residência Apostólica de Castel Gandolfo. A última audiência geral realizada no Vaticano foi no dia 2 de julho último.

Na audiência de hoje o Papa retomou as catequeses paulinas, detendo-se sobre alguns pontos da biografia de São Paulo, e fez um apelo pela situação na Índia.

Sobre os últimos acontecimentos naquele país o Papa disse que recebeu com profunda tristeza as notícias sobre as violências contra as comunidades cristãs no Estado indiano de Orissa, iniciadas após o deplorável assassinato do líder hindú Swami Lakshmananda Saraswati. Até agora – disse o Santo Padre – algumas pessoas foram assassinadas e outras ficaram feridas. Ao mesmo tempo foram destruídos centros de culto, propriedades da Igreja e habitações privadas.
“Enquanto condeno com firmeza todo tipo de ataque à vida humana, cuja sacralidade exige o respeito de todos, - disse o Papa - exprimo espiritual proximidade e solidariedade aos irmãos e às irmãs na fé tão duramente provados. Peço ao Senhor que os acompanhe e os sustente neste tempo de sofrimento e que conceda a eles a força para continuarem no serviço de amor em favor de todos”.

Enfim o Santo Padre convidou os líderes religiosos e as autoridades civis a trabalharem juntos a fim de restabelecer entre os membros das várias comunidades a convivência pacífica e a harmonia que sempre foram o sinal distintivo da sociedade indiana.
Momentos antes durante a catequese o Papa recordou a figura de São Paulo, o Apóstolo que nasceu em Tarso na Cilícia.

Hebreu da diáspora, falava grego, apesar de ter um nome de origem latina, e tinha cidadania romana. Talvez aprendeu de seu pai a tecer a lã para fabricar tendas de campanha, disse o Papa. Transferiu-se para Jerusalém com cerca de 12 anos, foi formado pelo Rabino Gamaliel, o Velho, nas rígidas normas do farisaísmo, mostrando um grande zelo pela Lei Mosaica, o que o levou a perseguir os cristãos.

“A sua vida experimentou uma grande mudança na estrada de Damasco, - continuou Bento XVI - chegando a ser um apóstolo incansável do Evangelho. Realizou três viagens missionárias: a primeira com Barnabé; a segunda escolheu como companheiros Silas e Timóteo. Durante a terceira viagem Paulo foi preso em Jerusalém pelos judeus por causa de um mal-entendido”.

Após permanecer um tempo na prisão, o Procurador Porcio Festo, intercedeu junto a César e o enviou a Roma, onde passou dois anos numa casa custodiado por um soldado.

Tradições sucessivas – disse ainda o Papa - falam que Paulo foi libertado e pôde realizar uma viagem a Espanha e outra ao Oriente. Outras tradições assinalam que foi preso uma segunda vez, terminando os seus dias martirizado. Que o exemplo do Apóstolo - concluiu Bento XVI - nos sirva de estímulo constante para o nosso compromisso eclesial.

Após a conclusão da audiência geral o Papa retornou de helicóptero a Castel Gandolfo. (SP)


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