Anexo
da Carta Pastoral N° 05
de 08/09/2008
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Resumo
do comentário feito pelo Professor Robson Sávio Reis Souza
– Núcleo de Estudos Sócio políticos (NESP)
da Arquidiocese de Belo Horizonte e da PUC - Minas :
Você
sabe qual o destino do seu voto? Muita gente pensa que o voto vai diretamente
para o candidato, mas aí existe um “detalhe”ao qual
é preciso ficar atento: a apuração dos votos em eleições
majoritárias (para prefeito) é diferente em eleições
proporcionais (para vereador).
Quando
se trata de eleger o prefeito municipal, os candidatos disputam uma única
vaga, sendo eleito quem obtiver a maioria dos votos, por isso, é
uma eleição majoritária. Já nas eleições
proporcionais, os candidatos e candidatas disputam várias vagas
(os municípios menores têm 7 vereadores; os maiores podem
ter até 51). Aqui vem o “detalhe” que precisamos conhecer,
para não nos deixarmos enganar por políticos espertalhões.
O
“detalhe” é o quociente eleitoral. Divide-se o número
de votos válidos pelo número de vagas.
As
vagas na Câmara Municipal não são preenchidas pelos
candidatos com maior número de votos, e sim pelo total de votos
dados aos candidatos do mesmo partido, isoladamente ou coligado. Ou seja,
cada partido ou coligação soma a votação de
todos os seus candidatos, mais os votos dados na legenda. Se um partido
não alcançar o quociente eleitoral, não elegerá
vereador e seus votos “se perdem”.
É
na distribuição das vagas a que tem o direito o partido
ou coligação que valem os votos nominais. Se o partido ou
coligação tiver direito a três vagas, serão
eleitos os três candidatos mais votados do partido ou coligação.
Esse
sistema eleitoral contribui para garantir a representatividade dos cidadãos,
porque o voto dado a um candidato menos votado ajuda a eleger outro candidato
do mesmo partido ou coligação. Como os membros de cada partido
ou coligação deve ter o mesmo ideário político,
é de se esperar que todos os candidatos e candidatas de um mesmo
partido ou coligação se identifiquem com o seu projeto.
Daí a importância de terem os candidatos a mesma identidade
partidária, não reduzindo o partido a uma simples legenda
eleitoral. Havendo consciência partidária, não há
“voto perdido” em eleições proporcionais, exceto
quando o partido não alcança o quociente eleitoral.
Fique
atento aos oportunistas: nem todos os candidatos de um partido estão
ali para concorrer realmente!
Mas
esse sistema pode também distorcer a representatividade ao facilitar
a eleição de políticos profissionais que estimulam
a candidatura de pessoas desinformadas, somente para acrescentarem votos
do seu partido. Tais políticos induzem as pessoas estimadas em
suas comunidades a se candidatarem à Câmara de Vereadores,
porque elas trazem votos sem, contudo, colocarem em risco o seu favoritismo.
Passadas as eleições, essas pessoas descobrem que foram
usadas apenas como alavancas eleitorais.
Talvez
você conheça um desses casos em que a politicagem prejudica
as comunidades. Por exemplo, quando uma liderança comunitária
se candidata a vereador e vê seus votos favorecerem a quem não
merece e frustra-se com a política. Isso não acontece com
quem sabe que sua candidatura visa apenas a colaborar com seu partido.
Quando, porém, a pessoa é envolvida na campanha na ilusão
de conseguir eleger-se, a frustração pode ser grande. Em
geral, a campanha não destaca o partido, e sim sua vida pessoal
e familiar, sua participação na Igreja, sua honestidade
pessoal e outros temas alheios à política. Por isso, não
são raros os casos em que os líderes usados para alavancarem
campanhas de políticos profissionais provocam divisões na
comunidade.
Voto
para vereador não se “perde”, porque conta como legenda
para o partido. Informar-se sobre os outros candidatos lançados
pelo partido do candidato em quem desejamos votar é tão
ou mais importante quanto se informar sobre as qualidades do próprio
candidato e sua capacidade para o exercício de cargo político.
Lembre-se:
o voto vai primeiro para o partido ou coligação e só
depois para o candidato.
Depois
de toda essa explanação vocês puderam perceber o quanto
é importante olhar o partido ou coligação e os candidatos
que serão beneficiados.
“Voto
não tem preço, voto tem conseqüência!” |
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Cascavel,
08 de setembro de 2008. |
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Dom Mauro Aparecido dos Santos
Arcebispo de Cascavel
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