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1.
Os representantes da Igreja Católica entendem que a AIDS e as outras
doenças sexualmente transmissíveis são um grave problema
de saúde pública, que requerem políticas públicas
eficazes para seu controle e combate.
2.
Através de muitas organizações e pessoas a ela ligadas,
a Igreja tem se empenhado na prevenção, no acolhimento,
no tratamento e na assistência a pessoas afetadas pelo vírus
da AIDS e na superação de preconceitos diversos em relação
a essas pessoas.
3.
A Igreja deixa à ciência e à técnica o juízo
sobre a eficácia dos diversos tipos de preservativos destinados
à prevenção e ao combate da AIDS e de outras doenças
sexualmente transmissíveis. No entanto, ela julga ser honesto,
em relação aos usuários, avisar que os preservativos
não são 100% seguros e também admitir que há
outros métodos eficazes para evitar a transmissão da AIDS
e de doenças sexualmente transmissíveis.
4.
A Igreja propõe e não impõe seus argumentos a ninguém,
mas também não aceita a demonização preconceituosa
de suas convicções e a imposição, à
sociedade, de um pensamento oficial e único sobre a matéria
em questão. Não basta uma solução pragmática
para um problema que envolve a liberdade e a responsabilidade das pessoas
e tem sérias conseqüências sociais.
5.
A Igreja é contrária ao uso dos preservativos, como método
de prevenção contra AIDS, não somente por razões
de ordem moral, (dogmática), mas por motivos educativos e pedagógicos,
que estão na ordem da racionalidade. Os argumentos de ordem moral
não são insignificantes nem racionalmente infundados. Trata-se
de compreender o significado antropológico da sexualidade humana,
como dimensão da pessoa e chamado à comunhão interpessoal,
ao dom recíproco de um homem e de uma mulher, à elaboração
comum um projeto de vida destinado a durar no tempo e aberto a gerar filhos
e a educá-los, gerando, ao mesmo tempo, um povo, uma história,
ambientes de afetividade e de solidariedade recíproca, na responsabilidade
partilhada diante da vida, nas suas diferentes circunstâncias.
6.
A Igreja Católica adverte a respeito da grave responsabilidade
de quem promove medidas contrárias aos autênticos princípios
educativos, que contribuem para uma formação distorcida
da adolescência e da juventude. A distribuição sistemática
de preservativos nas escolas da rede pública de ensino poderia
ser recebida pelos alunos como um incentivo ao exercício, sem limites
e sem critérios, da sexualidade. Tal programa parecerá a
legitimação de hábitos de uma sexualidade precoce,
cujas conseqüências podem ser prejudiciais à correta
educação e formação da personalidade e do
comportamento moralmente e socialmente responsável, o quê
deveria ser um dos objetivos de qualquer projeto educativo
7.
A Igreja recomenda a cada pessoa um comportamento moralmente e socialmente
responsável, em todos os sentidos, sem excluir aquilo que se refere
à prática do sexo e às atitudes que possam favorecer
a difusão de doenças.
8.
Ela entende que esta sua atitude é correta e socialmente responsável
e que é seu direito e dever, num País democrático
e pluralista, falar abertamente de suas próprias convicções
à sociedade, na certeza de que a educação para hábitos
saudáveis e para a prática da virtude dignifica a vida humana
e também é uma ajuda inestimável no combate à
proliferação de doenças. Assim fazendo, a Igreja
se submete, sem temor, ao tribunal da história e ao julgamento
de Deus.
9.
A CNBB também esclarece que, em nenhuma ocasião, nem em
Assembléia Geral, nem por declaração dos que representam
a Entidade, ela afirmou que o preservativo é, “dos males,
o menor”.
10.
A CNBB entende ainda que a Justiça, ao proibir a veiculação
de certo vídeo, agiu de maneira correta e dentro da lei, não
contrariando a liberdade e o direito de expressão de quem quer
que seja, mas assegurando o direito de uma Instituição que
se sentia injustamente lesada.
Brasília,
9 de dezembro de 2003
P
nº 0816/03
Card.
Geraldo Majella Agnelo
Presidente
da CNBB
D. Antônio Celso de Queirós
Vice
Presidente da CNBB
D.
Odilo Pedro Scherer
Secretário
Geral da CNBB
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